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XI SEMANA DO TEMPO COMUM – As parábolas da semente e do grão de mostarda

 Mc 4,26-34

Meus caros irmãos e irmãs, A liturgia da palavra deste domingo traz para a nossa reflexão duas breves parábolas contadas por Jesus: a da semente que cresce sozinha e a do grão de mostarda (cf. Mc 4, 26–34). Nestas parábolas temos a exposição de como o Reino de Deus se expande com uma força que não depende do ser humano, mas do próprio Deus. Através dessas imagens, tiradas do mundo da agricultura, o Cristo Senhor quer ilustrar as razões da nossa esperança e do nosso compromisso na história. A primeira parábola ressalta: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou” (v. 27-29). Esta parábola tem uma estrutura bastante simples e evoca o mistério da criação e da redenção, da obra fecunda de Deus. Ele é o Senhor do Reino, o homem é o seu colaborador humilde que contempla e rejubila com a obra criadora divina e dela espera pacientemente os frutos. O texto mostra que o agricultor semeia com a certeza de que o seu trabalho não será infecundo. Ele confia na força da semente e na fertilidade do terreno. Após ser semeada, a semente nasce e cresce independente da ação do agricultor. Deste modo, podemos lembrar da afirmação de São Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa somente Deus, que dá o crescimento” (cf. 1Cor 3, 6-7). No contexto da parábola, Jesus indica que o Reino tem uma força intrínseca que independe dos trabalhadores. O objetivo da parábola é também o de chamar a atenção dos ouvintes para o Reino de Deus e é um recurso retórico que faz parte do método utilizado por Jesus na evangelização. A semente que germina e cresce por si mesma exprime a ação de Deus que comunica amor e vida a todos. O Reino de Deus é comparado não apenas ao trabalho do camponês ou à semente que é lançada à terra, mas deve-se observar todo o modo de crescimento da planta. Jesus quer mostrar que o Reino de Deus é tão misterioso como este processo de desenvolvimento de uma semente que brota e se torna uma planta grandiosa. Para o homem antigo este processo constituía um milagre de Deus. Depois de lançada a semente, não se faz mais nada, senão esperar com paciência o tempo da colheita. Na linguagem evangélica, a semente é também símbolo da Palavra de Deus, cuja fecundidade é recordada por esta parábola. Do mesmo modo como a semente humilde se desenvolve na terra, também a Palavra age com o poder de Deus no coração de quem a ouve. Deus confiou a sua Palavra à nossa terra, ou seja, a cada um de nós, com a nossa humanidade concreta. Podemos ser confiantes, porque a Palavra de Deus é palavra criadora (cf. Gn 1,1ss). A criação nasce do “Logos” e esta feliz certeza é apresentada nos Salmos: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, pelo sopro da sua boca todos os seus exércitos” (Sl 33,6); e ainda: “Ele falou e as coisas existiram. Ele mandou e as coisas subsistiram” (Sl 33,9). E o Evangelista São João nos ensina que o “Logos” indica originariamente o Verbo eterno, ou seja, o Filho unigênito, gerado pelo Pai antes de todos os séculos e consubstancial a Ele: o Verbo estava junto de Deus, o Verbo era Deus. Mas este mesmo Verbo, afirma São João, “fez-se carne” (Jo 1,14) e veio habitar entre nós; por isso, Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, é realmente o Verbo de Deus, ou seja, a Palavra de Deus, que se fez consubstancial a nós (cf. BENTO XVI, Exortação Apostólica “Verbum Domini”, n. 7). Esta Palavra, sendo acolhida em nosso coração, certamente dará os seus frutos, porque o próprio Deus a faz germinar e crescer. E nós, chamados à comunhão com Deus e entre nós, devemos ser anunciadores deste dom. A Palavra de Deus, ao ser anunciada, penetra na mente e no coração, e quem a escuta nunca mais consegue permanecer o mesmo. É inevitável que aconteça uma transformação interior. Na segunda parábola Jesus conta: “O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra” (v. 32-33). São palavras que fazem referência ao Livro do profeta Ezequiel, do qual é tirada a primeira leitura (cf. Ez 17,22-24). Os dois textos aludem ao desenvolvimento do Reino de Deus na história do mundo. Nesta segunda parábola o texto menciona uma semente específica, o grão de mostarda, considerada a menor de todas as sementes. Porém, embora seja pequena, está cheia de vida, e dela nasce um rebento capaz de romper o terreno, de sair à luz do sol e de crescer até se tornar “a maior que todas as hortaliças” (cf. Mc 4,32): a debilidade é a força da semente, o romper-se é o seu poder. E assim é o Reino de Deus: uma realidade humanamente pequena, formada por quem não confia na própria força, mas na força da misericórdia de Deus. A semente germina e cresce, porque é a bondade de Deus que a faz crescer. A mostarda é uma planta da família da couve, de grandes folhas, flores amarelas e pequenas sementes. Existem duas espécies principais de mostarda: a branca e a preta. A branca chega a ultrapassar 1 metro de altura e a preta pode chegar de 3 a 4 metros, sendo esta uma espécie de mostarda comum nas margens do lago de Tiberíades e seu tronco se torna lenhoso. Por isso, os árabes têm o costume de falar em árvores de mostarda. As sementes de mostarda, na época, eram vistas como modelo de algo insignificante. Mas ao utilizar este exemplo, Jesus põe em destaque a simplicidade de qualquer realidade que começa em comparação com a grandeza dos resultados. A inexpressiva semente que se transforma em uma árvore acolhedora dos pássaros exprime que a fé dos discípulos, desprezível para muitos, pode gerar o mundo novo de fraternidade e paz. O acento destas duas parábolas está justamente na força do contraste. Nelas, o Reino de Deus representa um “crescimento” e um “contraste”: o crescimento que se verifica graças a um dinamismo da própria semente e o contraste que existe entre a pequenez da semente e a grandeza daquilo que ela produz. A mensagem é clara: para que ocorra o seu crescimento faz-se necessário a nossa colaboração, o Reino de Deus é antes de tudo dom do próprio Senhor para nós. Uma outra mensagem que podemos tirar dessas parábolas está no fato de sabermos esperar o tempo de Deus, ter paciência, manter a calma e acompanhar o desenvolvimento da semente que, sozinha, germina, cresce e produz frutos abundantes. Para sermos discípulos de Cristo é preciso ter a paciência de uma semente que dia e noite cresce, brota, desabrocha, amadurece em um processo longo, silencioso e quase anônimo. Obtemos ainda destas duas parábolas um ensinamento importante: O Reino de Deus requer a nossa colaboração, mas é sobretudo iniciativa e dom do Senhor. A nossa obra frágil, aparentemente muito pequena face à complexidade dos problemas do mundo, se for inserida em Deus, terá êxitos. Possamos semear este grão de mostarda no campo do nosso coração, pois se assim fizermos, será ele um jardim bem irrigado, um manancial de águas que nunca param de correr (cf. Is 58,11). Jesus Cristo é também este grão de mostarda que cai na terra e se multiplica para nós. Saibamos ser a terra boa, capaz de acolher e sermos anunciadores da sua mensagem salvadora e que ela possa produzir bons e saborosos frutos de santidade, unidade e paz e que sejam esses frutos recolhidos no celeiro do Reino dos Céus. Assim seja. D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB Mosteiro de São Bento/RJ

LITÚRGICA DA PALAVRA – 11/06 FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Antífona de entrada Sl 32,11.19
Eis os pensamentos do seu coração, que permanecem ao longo das gerações: libertar da morte todos os homens e conservar-lhes a vida em tempo de penúria.

Oração do dia
Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber, desta fonte de vida, uma torrente de graças. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

PRIMEIRA LEITURA
Meu coração comove-se no íntimo

Leitura da Profecia de Oséias 11,1.3-4.8c-9

Assim diz o Senhor:
‘Quando Israel era criança, eu já o amava,
e desde o Egito chamei meu filho.
Ensinei Efraim a dar os primeiros passos,
tomei-o em meus braços,
mas eles não reconheceram que eu cuidava deles.
Eu os atraía com laços de humanidade,
com laços de amor;
era para eles como quem leva uma criança ao colo,
e rebaixava-me a dar-lhes de comer.
Meu coração comove-se no íntimo
e arde de compaixão.
Não darei largas à minha ira,
não voltarei a destruir Efraim,
eu sou Deus,
e não homem;
o santo no meio de vós,
e não me servirei do terror.
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial
Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R.3)
R. Com alegria bebereis do manancial da salvação.

Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo;*
o Senhor é minha força, meu louvor e salvação.
Com alegria bebereis no manancial da salvação.
R.
e direis naquele dia: ‘Dai louvores ao Senhor,
invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas,*
entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime. R.

Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos,*
publicai em toda a terra suas grandes maravilhas!
Exultai cantando alegres, habitantes de Sião,*
porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!’ R.

SEGUNDA LEITURA
Conhecer o amor de Cristo que
ultrapassa todo conhecimento

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios 3,8-12.14-19

Irmãos:
Eu, que sou o último de todos os santos,
recebi esta graça de anunciar aos pagãos
a insondável riqueza de Cristo
e de mostrar a todos como Deus realiza
o mistério desde sempre escondido nele,
o criador do universo.
Assim, doravante, as autoridades e poderes nos céus
conhecem, graças à Igreja,
a multiforme sabedoria de Deus,
de acordo com o desígnio eterno
que ele executou em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Em Cristo nós temos, pela fé nele,
a liberdade de nos aproximarmos de Deus
com toda a confiança.
É por isso que dobro os joelhos diante do Pai,
de quem toda e qualquer família recebe seu nome,
no céu e sobre a terra.
Que ele vos conceda, segundo a riqueza da sua glória,
serdes robustecidos, por seu Espírito,
quanto ao homem interior,
que ele faça habitar, pela fé,
Cristo em vossos corações,
que estejais enraizados e fundados no amor.
Tereis assim a capacidade de compreender,
com todos os santos, qual a largura, o comprimento,
a altura, a profundidade,
e de conhecer o amor de Cristo,
que ultrapassa todo conhecimento,
a fim de que sejais cumulados até
receber toda a plenitude de Deus.
Palavra do Senhor.

Aclamação ao Evangelho
Mt 11,29

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Tomai sobre vós o meu jogo e de mim aprendei, que sou manso e humilde de coração

EVANGELHO
Um soldado abriu-lhe o lado com uma
lança e logo saiu sangue e água

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 19,31-37

Os judeus queriam evitar
que os corpos ficassem na cruz durante o sábado,
porque aquele sábado era dia de festa solene.
Então pediram a Pilatos
que mandasse quebrar as pernas aos crucificados
e os tirasse da cruz.
Os soldados foram e quebraram as pernas de um
e depois do outro que foram crucificados com Jesus.
Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto,
não lhe quebraram as pernas;
mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu, dá testemunho
e seu testemunho é verdadeiro;
e ele sabe que fala a verdade,
para que vós também acrediteis.
Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura,
que diz: ‘Não quebrarão nenhum dos seus ossos.

X DOMINGO DO TEMPO COMUM – B – O pecado de Adão e Eva

Mc 3,20-35.

Caríssimos irmãos e irmãs

O Evangelista São Marcos ressalta na perícope evangélica deste domingo que os adversários de Jesus criticam suas atitudes e salientam que a sua mensagem é contrária à doutrina oficial, isto é, a dos escribas e fariseus. Eles alegam que o comportamento de Jesus não está de acordo com as sagradas tradições dos antigos por não respeitar o sábado, não estimular os seus discípulos a jejuar, por ser amigo dos pecadores e por não observar as normas que proíbem contatos com pessoas impuras. Muitos o consideram um herege (Jo 8,48.52) e o acusam ainda de expulsar o demônio pelo poder de Belzebu, o Príncipe dos demônios. A palavra Belzebu – seria interesante recordar – vem do nome de um deus filisteu de Acaron, cujo nome era “Baal das moscas” – Baal Zebud. A mesma palavra foi deformada pelos judeus, e ficou Beelzebul, que significa “o Senhor das esterqueiras”. De qualquer maneira é um nome depreciativo com que os israelitas chamavam o chefe dos espíritos malignos. Como está no evangelho, os escribas insistem em dizer que Jesus estaria expulsando os demônios pelo poder de Belzebu. Uma colocação inconveniente à qual Jesus responde ser impossível um demônio expulsar o próprio demônio.

Jesus se dirige a eles e esclarece: Satanás, por sua própria natureza, é inimigo do homem, é homicida: tudo o que ele faz é contra a vida e a felicidade do homem. Ora, tudo aquilo que Jesus realiza é exatamente o contrário: ele socorre o homem e o recupera; restitui-lhe a saúde e comunica-lhe a vida. Quanto à intervenção de seus parentes, Jesus explica que sua verdadeira família não é a do sangue, mas a da fé operante: os que fazem a vontade do Pai (v.35). Para poder fazer parte de sua família é preciso escutar a sua palavra e cumprir a vontade de Deus.

Neste horizonte neotestamentário, meditemos a primeira leitura que nos faz voltar ao livro do Gênesis (cf. Gn 2,4b-3,24), cujo objetivo é falar sobre a origem da vida e do pecado e tem uma finalidade teológica, que tenciona ensinar como o mundo e o homem apareceram e nos diz, em particular, que na origem da vida está Deus e que na origem do mal e do pecado estão as opções erradas do homem. Trata-se, portanto, de uma página importante de catequese que sempre devemos reler.

Em um primeiro momento, o autor sagrado descreve a criação do paraíso e do homem e apresenta a criação de Deus como um espaço ideal de felicidade, onde tudo é bom e o homem vive em comunhão total com o Criador e com as outras criaturas. Em um segundo momento, é apresentado o pecado do homem e da mulher, mostrando como as opções erradas do primeiro casal humano influenciaram na sua comunhão com Deus, trazendo desequilíbrio para o próprio homem. E, finalmente, o texto apresenta o homem e a mulher confrontados com o resultado das suas opções e as consequências que daí surgiram para ambos e para as gerações vindouras.

Na perspectiva do texto do Gênesis, Deus criou o homem e a mulher para a felicidade. Mas o homem, que Deus criou livre e feliz, fez escolhas indevidas e, com isto, introduziu na criação dinamismos de sofrimento e de morte. Os personagens apresentados no texto são Deus, que “passeia no jardim à brisa do dia” (v. 8), e ainda Adão e Eva, que se esconderam de Deus por entre o arvoredo do jardim (v. 8).

O texto começa com uma pergunta do Criador a Adão: “Onde estás?” A resposta do homem já é uma confissão da sua culpabilidade: “Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me” (v. 9-10). A vergonha e o medo são sinais de uma perturbação interior, de uma ruptura com a anterior situação de inocência, de harmonia, de serenidade e de paz. Como é que o homem chegou a esta situação? Evidentemente, desobedecendo a Deus e percorrendo caminhos contrários àqueles que Deus lhe havia proposto. A resposta do homem revela que ele tem consciência da sua culpa.

Depois desta constatação, a segunda pergunta feita por Deus ao homem é meramente retórica: “Terias tu comido da árvore, da qual te proibira de comer?” (v. 11). A árvore em causa é a “árvore do conhecimento do bem e do mal”, significa o orgulho, o prescindir de Deus e das suas propostas, o querer decidir por si só o bem e o mal, o pôr-se a si próprio em lugar de Deus, o reivindicar autonomia total em relação ao criador. A situação do homem, perturbado e em ruptura, é já uma resposta clara à pergunta de Deus. Ao desobedecer a Deus, o homem fez a opção por um caminho de independência em relação a Ele. Daí a vergonha e o medo.

Ao defender-se, o homem acusa a mulher e, ao mesmo tempo, acusa veladamente o próprio Deus pela situação em que se encontra: “A mulher que me deste por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi” (v. 12). Adão representa a humanidade que esqueceu os dons de Deus e vê em Deus um adversário; por outro lado, a resposta de Adão mostra, igualmente, uma humanidade que quebrou a sua unidade e se instalou na falta de solidariedade, no ódio. Escolher caminhos contrários aos de Deus não pode senão conduzir a uma vida de ruptura com Deus e com os outros irmãos.

Em seguida, a mulher se defende: “A serpente enganou-me e eu comi” (v. 13). Entre os povos cananeus, a serpente estava ligada aos rituais de fertilidade e de fecundidade. Os israelitas deixavam-se fascinar por esses cultos e, com frequência, abandonavam o Senhor Deus para seguir os rituais religiosos dos cananeus e assegurar, assim, a fecundidade dos campos e dos rebanhos. Na época em que o livro do Gênesis foi escrito, a serpente era, pois, o “fruto proibido”, que seduzia os crentes e os levava a abandonar a Lei de Deus. A “serpente” é, neste contexto, um símbolo literário de tudo aquilo que afastava os israelitas de Deus. A resposta da “mulher” confirma aquilo que até agora estava sugerido: a humanidade que Deus criou ignorou as suas propostas e enveredou por outros caminhos.

A serpente é um animal que passa toda a sua existência comendo o pó da terra. O autor vai servir-se deste dado para ilustrar a condenação radical de tudo aquilo que leva o homem a afastar-se de Deus para seguir outros caminhos. A inimizade e a luta entre a “descendência” da mulher e a “descendência” da serpente, ressaltadas no texto, podem ser uma explicação do autor sagrado para o fato de a serpente inspirar horror aos seres humanos e todos procurarem “esmagar a sua cabeça”; mas a interpretação judaica e cristã viu nestas palavras uma profecia messiânica: Deus anuncia que um “filho da mulher”, o Messias, o Cristo Jesus, acabará com as consequências do pecado e inserirá a humanidade numa dinâmica de graça. Nisto consiste a relação da primeira leitura com o Evangelho, onde Cristo é apresentado como o novo Adão, aquele que é capaz de expulsar o demônio tentador.

O autor sagrado, na verdade, não fala de um pecado cometido nos primórdios da humanidade pelo primeiro homem e pela primeira mulher, mas do pecado cometido por todos os homens e mulheres de todos os tempos. Ele está apenas a ensinar que a raiz de todos os males está no fato de o homem virar as costas para a lei de Deus e construir o mundo a partir de critérios próprios.

Um dos mistérios que mais questiona os nossos contemporâneos é o mistério do mal. Esse mal que vemos todos os dias torna sombria e assustadora esta nossa morada que é o mundo em que vivemos. Mas o mal nunca vem de Deus. Deus nos criou para a vida e para a felicidade e nos deu todas as condições para imprimirmos à nossa existência uma dinâmica de vida, de felicidade, de realização plena. O mal resulta das nossas escolhas erradas. Quando o homem escolhe viver alheio às propostas de Deus, ele constrói o sofrimento e passa a viver no pecado. O tempo em que vivemos é um tempo de vigilância, pois a serpente continua a armar ciladas para os nossos calcanhares.

Saibamos dizer “não” ao pecado e ao erro. E peçamos ao Senhor que nos ajude a combater o mal e nos faça parte da sua família, ou seja, que possamos ouvir as suas palavras e colocá-las em prática todos os dias. Assim seja.

D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ.

CORPUS CHRISTI – B

Mc 14,12-16.22-26

Caros irmãos e irmãs

Estamos hoje celebrando a festa do Santíssimo Sacramento, tradicionalmente conhecida como “Corpus Christi”. Esta celebração, nascida no século XIII, é um festivo desdobramento da Quinta-feira Santa, por ocasião da Última Ceia, na véspera de sua Paixão, quando instituiu o sacramento da Eucaristia, Jesus tomou o pão, abençoou-o e o partiu e o deu a seus discípulos, dizendo: “’Tomai e comei, isto é o meu corpo. Fazei isto em memória de mim’. Da mesma forma, tomou o vinho e, dando graças, o distribuiu, dizendo: ‘Tomai e bebei, este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de vós. Toda vez que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’” (Mt 26,26ss; 1Cor 10,23-27).

Estas palavras que Jesus falou durante a Última Ceia repetem-se cada vez que se renova o Sacrifício eucarístico, e elas ressoam com notável poder evocativo neste dia em que celebramos a Solenidade de Corpus Christi. Elas nos levam novamente ao Cenáculo e trazem a atmosfera espiritual daquela noite, quando, celebrando a Páscoa com os seus, o Senhor Jesus antecipou no mistério o sacrifício que seria consumado no dia seguinte sobre a cruz. A instituição da Eucaristia surge como antecipação e aceitação de Jesus pela sua morte. E a Igreja, desde seus primeiros dias, celebra sempre esse mistério, com o nome de fração do pão, mais tarde Santa Missa e Eucaristia, que é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (LG 11).

No relato da instituição da Eucaristia, ao dizer “Este é o meu sangue”, Jesus faz uma referência à linguagem sacrificial de Israel e se apresenta como o verdadeiro e definitivo sacrifício, no qual se realiza a expiação dos pecados, o que, nos ritos do Antigo Testamento, não fora ainda plenamente realizado. A esta expressão se seguirão outras duas narrativas bem significativas. Em primeiro lugar, Jesus Cristo disse que seu sangue era “derramado em favor de muitos”, com uma compreensível referência aos cantos do Servo encontrados no livro do profeta Isaías (cf. Is 53). Com o acréscimo de “o sangue da aliança”, Jesus deixa claro que, graças à sua morte, finalmente se torna efetiva a aliança feita por Deus com seu povo. A antiga aliança fora estabelecida no Monte Sinai com o rito sacrificial de animais, como ouvimos na primeira leitura, e o povo eleito, libertado da escravidão no Egito, havia prometido seguir as orientações do Senhor (cf. Ex 24,3).

Na verdade, Israel, com a construção do bezerro de ouro, mostrou-se incapaz de se manter fiel à aliança divina, que foi transgredida frequentemente, adaptando ao coração de pedra a Lei que era para ensinar o caminho da vida. Mas o Senhor não abdicou de sua promessa e, através dos profetas, chamou a atenção para a dimensão interior da aliança e anunciou que gravaria esta nova lei nos corações dos fiéis (cf. Jr 31,33), transformando-os com o dom do Espírito (cf. Ez. 36, 25-27). E foi durante a Última Ceia que fez com os discípulos esta nova aliança, não a confirmando com sacrifícios de animais, como no passado, mas com o seu sangue, tornado “sangue da nova aliança”. Isto vem bem evidenciado na segunda leitura, retirada da Carta aos Hebreus, onde o autor sagrado declara que Jesus é o “mediador de uma nova aliança” (Hb 9,15). Tornou-se isto graças ao seu sangue ou, mais precisamente, graças ao dom de si, dando pleno valor ao seu sangue.

Na cruz, Jesus é ao mesmo tempo vítima e sacerdote: vítima digna de Deus porque sem mancha, e sumo sacerdote que oferece a si mesmo, sob o impulso do Espírito Santo, e intercede por toda a humanidade. A cruz é, portanto, mistério de amor e de salvação, que purifica a consciência do pecado e santifica-nos, esculpindo a nova aliança em nossos corações; a Eucaristia, renovando o sacrifício da cruz, nos faz capazes de viver fielmente a comunhão com Deus.

São Leão Magno recorda que “a nossa participação no corpo e sangue de Cristo não tende a nada mais que nos transformar naquilo que recebemos” (S. LEÃO MAGNO, Sermão 12, PL 54). E quando recitamos a oração do Pai Nosso, dizemos: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, nos faz pensar, naturalmente, no pão de cada dia. Esta questão contém, no entanto, algo mais profundo. O termo grego “epioúsios”, que traduzimos como “quotidiano”, é visto por alguns Padres da Igreja como um sinal de referência à Eucaristia, o pão da vida eterna que é dado na Santa Missa, a fim de que, neste contexto, o mundo futuro possa começar em nós.

Jesus, como sinal da presença, escolheu o pão e o vinho. A oração com a qual a Igreja, durante a liturgia da missa, entrega este pão ao Senhor, o apresenta como fruto da terra e do trabalho do homem. Nele fica recolhido o cansaço humano, o trabalho cotidiano de quem cultiva a terra, de quem semeia, colhe e, finalmente, prepara o pão. Contudo, o pão não é só um produto nosso, algo que nós fazemos: é fruto da terra e, portanto, é também um dom. O fato de que a terra dê fruto não é mérito nosso; só o Criador podia dar-lhe a fertilidade. E a água, da qual temos necessidade para preparar o pão, não podemos produzi-la nós mesmos. Deste modo, começamos a compreender porque o Senhor escolhe o pão como seu sinal. A criação, com todos os seus dons, aspira, além de si mesma, a algo que é ainda mais significativo.

Certa vez Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica só; mas se morre, dá muito fruto” (Jo 12,24). No pão, feito de grãos moídos, esconde-se o mistério da Paixão. A farinha, o grão moído, pressupõe o morrer e o ressuscitar do grão. O ser moído e cozido manifesta uma vez mais o mesmo mistério da Paixão. Só através do morrer chega o ressurgir, chega o fruto e a nova vida. O Deus que morre desse modo nos leva à vida. Sucedeu realmente com Cristo o que nos mitos era uma expectativa e o que o próprio grão esconde como sinal da esperança da criação. Através de seu sofrimento e de sua morte livre, Ele se converteu em pão para todos nós e, deste modo, em esperança viva e crível: Ele nos acompanha em todos os nossos sofrimentos, até a morte. Os caminhos que Ele percorre conosco e através dos quais nos conduz à vida são caminhos de esperança.

O pão, feito de muitos grãos de trigo, encerra também um acontecimento de união: o converter-se em pão de grãos moídos é um processo de unificação. Nós mesmos, dos muitos que somos, temos que converter-nos em um só pão, em seu corpo, como nos diz São Paulo (cf. 1Cor 10,17). Deste modo, o pão converte-se ao mesmo tempo em esperança e tarefa. Este sinal do pão nos recorda também a peregrinação de Israel durante os quarenta anos no deserto. A Hóstia é o maná com o qual o Senhor nos alimenta, é verdadeiramente o pão do céu, com o qual Ele verdadeiramente faz a entrega de si mesmo. Na procissão, seguimos este sinal e deste modo seguimos a Ele mesmo. E a Igreja escolheu o dia da quinta-feira para ser a celebração de “Corpus Christi”, porque foi neste dia, antes da sua Paixão, morte e ressurreição, que o Senhor Jesus instituiu o Sacramento da Eucaristia. Por isso, também podemos dizer que a Eucaristia é o sacramento da morte e da ressurreição de Cristo.

E celebramos a solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo na quinta-feira depois da Santíssima Trindade, para colocar em evidência precisamente aquela Vida que nos dá a Eucaristia. Ao recebermos o Corpo e o Sangue de Cristo dados em alimento, somos chamados de maneira particular a tornarmos discípulos fiéis e semelhantes a Cristo, a unirmos sem reservas ao Filho amado do Pai, por obra do Espírito Santo. E participando da mesa Eucaristia, nós somos aqueles filhos que não podem deixar de viver unidos na comunhão com os irmãos.

Desde os primeiros séculos, os cristãos sabiam que a comunhão com Deus era somente para quem estava preparado. É o próprio São Paulo que, com um santo fervor, ameaça: “Quem come o pão e bebe o corpo do Senhor indignamente, será culpado no corpo e no sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo, antes de comer desse pão e beber desse cálice; porque quem come e bebe, come e bebe sua própria condenação, se não distingue o corpo” (1Cor 11,27-29). Por isto, estejamos sempre preparados para o encontro quotidiano com Cristo e que isto seja para cada um de nós um apelo constante à santidade, à espera do retorno do Senhor!

Peçamos mais uma vez a Virgem de Nazaré que interceda sempre por nós e nos auxilie na nossa caminhada quotidiana, para que possamos chegar rumo à meta do céu, alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo, pão da vida eterna e remédio da imortalidade divina. Assim seja.

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Mt 28,16-20

Caros irmãos e irmãs

Celebramos neste domingo a solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, na qual somos chamados a contemplar o mistério da identidade de Deus Uno e Trino. A Liturgia da Palavra que a Igreja indica para este dia nos convida a aprofundar a nossa fé trinitária, colocando em evidência que Deus veio falar de si mesmo ao homem, revelando quem Ele é.

Na primeira Leitura, extraída do Livro do Deuteronômio (cf. Dt 4,32-34.39-40), escutamos as palavras de Deus a Moisés, que lembram como Deus escolheu um povo e a ele se manifestou de modo particular. Com isso, Israel se torna o destinatário da sua manifestação. E, através de Moisés, falou ao povo eleito: “Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra… se houve jamais um acontecimento tão grande, ou se ouviu algo semelhante. Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo?” (cf. Dt 4,32-33).

Com estas palavras, Moisés recorda a manifestação de Deus no Monte Sinai e a entrega dos dez mandamentos, como também a sua experiência pessoal no Monte Horeb. Naquela ocasião, Deus se revelou por meio de uma sarça ardente e confiou a esse mensageiro a missão de libertar Israel da escravidão do Egito, e lhe revelou o próprio nome: “Eu sou Aquele que sou!” (cf. Ex 3,1ss). O texto oferece uma rica meditação sobre a história salvífica, que consolida a fé no único Deus, e recorda a sua misericórdia para com seu povo.

Na segunda leitura, vemos que São Paulo ensina a dimensão trinitária da existência cristã (Rm 8,14-17). O primeiro aspecto desta existência é nossa condição filial. O Apóstolo proclama que recebemos no Batismo o Espírito Santo, que de tal modo nos une a Cristo e nos liga ao Pai como filhos e, por isto, podemos dizer “Abá, ó Pai!” (v. 15). Com esse Sacramento da iniciação somos inseridos na comunhão trinitária. Cada cristão é batizado em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo sendo, assim, imerso na vida de Deus. Um grande dom e um grande mistério!

Em consequência disso, compreendemos nossa filiação divina: “Se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (v. 17). Isto é, como filho, o cristão participa da vida divina, usufruindo dos bens oferecidos. Observa-se que o termo herdeiro não tem a concepção moderna de dispor dos bens após a morte do proprietário, mas tem o sentido de tomar posse. Aliás, a herança que Deus concede a Israel é precisamente a posse de uma nova terra (cf. Is 60,21). Somos co-herdeiros da glorificação de Cristo, na medida em que também sofremos com Ele. E como filhos de Deus, haveremos de herdar a glória divina, esplendor da vida de Deus na pessoa de Cristo.

A partir do batismo, o cristão estabelece uma relação específica com Deus, em cada uma das pessoas divinas. A propósito, é possível fazer uma ligação desta segunda leitura com o texto evangélico, no encontro entre Jesus e os seus Apóstolos. A eles Jesus afirma que lhe foi dado todo o poder no céu e na terra (v. 18). Esta expressão “céu e terra”, para os antigos, englobava a criação inteira. Como de fato, a Sagrada Escritura começa dizendo que “no começo Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1-2). Portanto, isto indica que Jesus recebeu de Deus um poder que abrange todo o universo. Mas Jesus não guarda para si este poder que o Pai lhe confiou; comunica-o aos seus discípulos, aos quais cabe a missão de dar continuidade à sua obra, fazendo chegar a salvação a todos, pela pregação evangélica e pelo batismo. E, neste momento, os envia para evangelizar os povos e batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 18-19).

Na teologia paulina Deus se manifesta como aquele que dá a vida por meio de Cristo, único Mediador. Da mesma forma o fazemos na nossa profissão de fé, ao confessar que o Espírito Santo é Senhor e dá a vida. Por obra do Espírito Santo os crentes são constituídos filhos no Filho, como escreve São João no seu Evangelho (cf. Jo 1,13). Por isto, com o batismo, somos inseridos na comunhão trinitária.

O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo, portanto, fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que nos ilumina. Deus deixou vestígios do seu ser trinitário na sua obra de Criação e na sua Revelação ao longo do Antigo Testamento. Mas a intimidade do seu ser, contemplado em três pessoas, constitui um mistério inacessível à pura razão e até mesmo à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo.

São Paulo, em suas cartas, faz referência à Santíssima Trindade: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” (2Cor 13,12). Também o Evangelista São João: “O Pai e eu somos um” (Jo 14,9-10). O Apóstolo Filipe certa vez pediu a Jesus para lhe mostrar o Pai e Jesus lhe respondeu: “Tu não me conheces, Filipe? Quem me vê, vê o Pai… Não crês que estou no Pai e o Pai está em mim?” (Jo 14,8ss). Quanto ao Espírito, Ele é o sopro mesmo de Deus, a realidade pela qual Deus se comunica pela mediação eterna do Filho.

Estes textos bíblicos nos guiam para aprofundar o mistério trinitário, que conduz desde Moisés até Cristo. O mistério manifestado a Moisés junto da sarça ardente foi revelado plenamente em Cristo na sua referência trinitária. Por meio dele, de fato, nós descobrimos a unidade da divindade, a trindade das Pessoas.

A Igreja repete incessantemente este louvor à Santíssima Trindade. A oração cristã inicia com o sinal da Cruz, ao mesmo tempo em que dizemos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, e conclui-se, com frequência, com a doxologia trinitária: “Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos”. Quando professamos a nossa fé, dizemos: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas” (Credo Niceno-Constantinopolitano).

Por várias vezes os monges, após a recitação de cada Salmo, inclinam em sinal de adoração à Santíssima Trindade dizendo: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. Também quando começamos a Santa Missa, fazemos o Sinal da Cruz dizendo: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; e com frequência o sacerdote saúda os fiéis lembrando as três pessoas da Santíssima Trindade: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”. E, mais uma vez, ao concluir a Santa Missa, o sacerdote abençoa os fiéis invocando a Santíssima Trindade.

As últimas palavras do texto evangélico deste domingo são confortadoras, pois Jesus promete aos seus discípulos a sua assistência: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (v. 20). No começo ele fora anunciado como o “Emanuel”, isto é, como o “Deus conosco” (Mt 1,23) e agora, após a ressurreição, ele continua sendo o “Deus conosco!”. Ele continua presente pela sua Palavra e pela Eucaristia.

Uma vez mais peçamos a intercessão da Virgem Maria por cada um de nós. Nela, Deus preparou para si uma morada digna, para que fosse completado o mistério da salvação e foi no seu seio que o Salvador do mundo se fez homem e veio habitar entre nós. Maria, a humilde serva do Senhor, acolheu a vontade do Pai e concebeu o Filho por obra do Espírito Santo. Que o seu exemplo de santidade e vida nos ajude a crescer sempre mais na fé e na santidade. Assim seja.

D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ