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“E o presépio se faz porta do Céu”

“Ó Menino meu Divino,
eu te vejo aqui tremer. Ó Deus amado,
Oh, quanto te custou ter me amado!”
(Santo Afonso Maria de Ligório, Tu scendi dalle stelle)

Contemplar o presépio é contemplar a cruz. De fato, ao olharmos para o frágil menino da gruta de Belém, nosso pensamento não deve se fazer distante do Homem-Deus que por nós se entregou no patíbulo da cruz. Afinal, esse foi o sentido maior de Deus ter se inclinado de seu trono de glória e vindo habitar entre os homens, nascido do casto seio da Virgem Santíssima. O presépio não faz sentido sem a cruz. O presépio é o princípio da missão salvadora de Cristo, que irá redimir a humanidade. Neste tempo do Natal, portanto, há que se reverberar em nosso peito a exclamação de Santo Agostinho: “Desperta, ó homem: por tua causa Deus se fez homem!”¹.

Contemplar o Menino Jesus entre as palhas da manjedoura é, portanto, notar, como disse Santo Afonso Maria de Ligório, no belíssimo hino por ele composto para o Natal, Tu scendi dalle stelle (Tu desces das estrelas), o que passou por nós o Salvador: “Oh, quanto te custou ter me amado!”. Sim, foi tudo por nosso amor. Tudo por graça de Deus. E graça superabundante, que nos abriu as portas do céu. Deus, em sua humildade majestosa, faz de uma pobre manjedoura, cercada de bois e ovelhas, a porta que nos dá acesso ao Reino Celeste. Reino dos pobres, que como os pastores que naquela noite acorreram ao presépio, sabem em sua pobreza enriquecer a Deus com louvores. E Deus, que não se esquece dos pobres, manda até nós seu próprio Filho, Verbo Divino feito carne, que se faz irmão dos pobres, filho de uma humilde jovem de Nazaré, casada com um pobre carpinteiro. Novamente nos valemos da sabedoria de Santo Agostinho para refletir: “Na verdade, que graça maior Deus poderia nos conceder do que, tendo um único Filho, fazê-lo Filho do homem e reciprocamente fazer os filhos dos homens serem filhos de Deus?”. Graça maior não há. Por isso somos pobres e devemos nos entender como pobres: porque tudo é graça de Deus, dom gratuito, do qual ninguém pode arrogar mérito algum que seja seu. “Procurai o mérito” – dirá Santo Agostinho – “procurai a causa, procurai a justiça; e vede se encontrais outra coisa que não seja a graça de Deus.” Nossa principal missão no Natal, portanto, é reconhecer a graça de Deus que se faz presente nas palhas, nos pobres pastores, nos anjos a cantar. Graça que se apresenta na pobreza, para confundir os homens em sua vazia mania de riqueza.

Um sinal que concretiza toda essa realidade de um Deus que se faz graça abundante ao homem vindo morar no meio dele é a própria revolução que esse nascimento causará na história da humanidade. Isso ninguém pode negar, seja cristão ou não: o mundo e sua história não foram jamais os mesmos depois do nascimento de Cristo. Sem dúvida alguma, em 25 de dezembro celebramos o fato que transformou substancialmente a história universal. Um simples menino a nascer na pobre gruta de Belém serviu de divisor dos tempos, de princípio de uma era, de fio condutor de uma civilização. Um pobre menino, nascido em meio ao boi e às ovelhas, nascimento esse mais célebre que as conquistas de Alexandre, o Grande, ou o Império de César Augusto, nascimento que reverbera até hoje em todo o mundo. Muitos podem até não reconhecer em Cristo Jesus o Salvador, o Deus que se fez carne, mas não podem deixar de reconhecer o quanto esse nascimento mudou o mundo. É como se fosse uma espécie de “big bang” às avessas: não mais um mundo criado numa explosão de poeira cósmica, mas uma nova criação no silencio da noite, num pobre presépio, sob a luz da estrela a pairar na célebre Belém, a mais humilde das cidades de Judá.

Portanto, não faltam motivos para nos alegrarmos. O sol nascente nos veio visitar (Lc. 1,78), iluminando nossa escuridão. Este solene dia, o celebremos como nos pede Santo Agostinho: “Celebremos com alegria a vinda da nossa salvação e redenção. Celebremos este dia de festa, em que o grande e eterno Dia, gerado pelo Dia grande e eterno, veio a este nosso dia temporal e tão breve.” Comemorai cristãos, eis que chegou o vosso Salvador. Eis que da cepa brotou a rama, da rama veio bela flor! (cf. Is 11, 1-3). Exultai em Deus, em sua glória, em sua humilde glória, em sua pobreza esplendorosa. Vinde, adoremos o salvador, ele é Deus conosco!

*As citações de Santo Agostino são todas retiradas do Sermão 185.

Eduardo Silva
(Seminarista)

 

Mesmo pecadores, Jesus nos ama!

“Jesus ama você individualmente, do jeito que você é, na situação em que está, com toda a sua história, todo o seu passado. Ele ama você profundamente, do mesmo modo que amou Zaqueu, o cobrador de impostos, que por curiosidade foi procurá-lo, subindo no alto de uma árvore. Quando Jesus o viu, disse: Zaqueu, desce depressa porque é preciso que Eu fique hoje na tua casa (Lc 19, 1 – 10).

É isso que Jesus está dizendo para você: ‘desça depressa, de onde está, saia da situação em que se colocou. Deixe seu orgulho, vaidade, auto-suficiência. Preciso entrar hoje na sua casa, preciso adentrar em seu coração. Estou chamando você como fiz com Zaqueu’.

O Senhor está chamando a mim e a você. É momento de nos rendermos a Ele. Somos pecadores? Sim. Infelizmente o pecado está em nós, por isso, acabamos pecando e cometendo muitos erros.

Somos como um alcoólatra. Ele não é alcoólatra porque bebe. Ele bebe porque é alcoólatra. Há uma doença dentro dele que o impulsiona o empurra a beber. Mas que beleza quando ele se recupera é a restauração da pessoa inteira, não só do exterior.

Este é o momento de nos reconhecermos pecadores diante do Senhor. Precisamos da Sua salvação. Nossa conversão é progressiva. Atinge-nos cada vez mais e nós vamos adentrando mais profundamente no coração aberto de Jesus. E quanto mais deixamos de ser pecadores, mais seguimos adiante no caminho da santidade, na nossa transformação.

É certo, no entanto, que falta muito para sermos aquilo que Jesus quer que sejamos: ‘Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação’. ‘Sede santos porque Eu o Senhor vosso Deus Sou santo’. Falta muito ainda para isso. Entretanto, precisamos reconhecer que ainda somos pecadores.

A união da miséria humana, somada ao coração de Deus, cheio de amor, resulta na misericórdia. Ela supera todo o nosso entendimento. Não é possível entender a misericórdia de Deus, basta que a acolhamos e aceitemos.”

FONTE: http://arqrio.org/formacao/detalhes/1554/mesmo-pecadores-jesus-nos-ama

Monsenhor Jonas Abib
(Fundador da Comunidade Canção Nova e presidente da Fundação João Paulo II)

Guadalupe: Mãe da América Latina

No dia 12 de dezembro “celebra-se a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira de toda a América. Aproveito o ensejo para saudar os irmãos e irmãs daquele Continente, e faço-o pensando na Virgem de Tepeyac.

Quando apareceu a São Juan Diego, o seu rosto era mestiço e as suas vestes, cheias de símbolos da cultura indígena. Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está ao lado dos seus filhos, acompanha o seu caminho como mãe atenciosa, partilha as alegrias e esperanças, os sofrimentos e as angústias do Povo de Deus, do qual todos os povos da terra são chamados a fazer parte.

 

A aparição da imagem da Virgem na tilma (manto) de Juan Diego foi o sinal profético de um abraço, o abraço de Maria a todos os habitantes das vastas terras americanas, a quantos já estavam ali e aos que teriam chegado depois. Este abraço de Maria indicou a senda que sempre caracterizou a América: é uma terra onde podem conviver povos diversos, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as suas fases, desde o ventre materno até à velhice, capaz de acolher os emigrantes, os povos, os pobres e os marginalizados de todas as épocas. A América é uma terra generosa.

Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e esta é também a minha mensagem, a mensagem da Igreja. Encorajo todos os habitantes do Continente americano a manter os braços abertos como a Virgem Maria, com amor e ternura.

Caros irmãos e irmãs da América inteira, rezo por todos vós, mas

também vós orai por mim! Que a alegria do Evangelho esteja sempre nos vossos corações! O Senhor vos abençoe e a Virgem vos acompanhe!” (Homilia do Papa Francisco em 12/12/2015)

GUADALUPE EM MINHA VIDA, ENQUANTO CONSAGRADO

Sempre tive um carinho e uma admiração muito grande pela imagem de Guadalupe, mesmo na época que eu era protestante, eu não tinha amor pela imagem, mas a admirava pela forma que ela havia aparecido e pelo fato de ninguém conseguir explicar.

Com todo o tempo de “reabilitação” religiosa, por sair de uma religião que não aceita Nossa Senhora da forma que ela deve que ser aceita e amada e ir para uma que busca sempre honrar e amar, essa doce e augustíssima mãe; fiquei muito interessado em buscar saber cada vez mais sobre ela, buscar cada vez mais tentar “recuperar” o tempo em que virei as costas pra ela, o tempo em que eu não a honrei como ela merece.

Tempos depois conheci a consagração a Jesus pelas mãos de Maria, onde São Luiz Maria Grignion de Montfort diz que nos damos totalmente a Jesus pelas mãos sagradas e virginais da Santíssima Virgem, assim depositando totalmente nas mãos dela todos os nossos bens materiais e espirituais, todos os nossos méritos internos e externos, para ela usá-los como bem quiser. Para ela usá-los na salvação de outras Almas. Fiquei apaixonado por toda essa beleza e toda espiritualidade dessa devoção, desse modo de vida, onde nos “anulamos” para servir e buscar salvar o próximo, mas apareceram muitas dúvidas se eu era digno de tal devoção; se seria capaz de tal espiritualidade e compromisso, e foi assim que, da mesma forma que ela apareceu ao índio São Juan Diego, ela veio e me disse a mesma frase, “não fiques aflito, não estou eu aqui, que sou sua mãe? Você não está debaixo da minha sombra e sob o meu cuidado? Não sou eu a fonte da sua alegria?”, e de lá para cá nunca mais abandonei essa doce e amorosa mãe, de lá pra cá foram dissipadas quaisquer dúvidas que poderiam ter aparecido em minha mente sobre me entregar totalmente a essa tão amorosa mãe!

Hoje sou todo de Jesus pelas mãos de Maria, consagrado pelo título de Nossa Senhora de Guadalupe, essa mãe que jamais me abandonou, mesmo em todo tempo em que eu não a aceitava como minha mãe e medianeira, e busco sempre passar esse amor e proteção dela para outros. Hoje graças à intercessão dela, temos na Paróquia São Judas Tadeu o Grupo Mariano Totus Tuus Mariae, que se encontra todos os sábados as 17h, onde crianças, jovens e adultos, que buscam saber mais sobre essa doce mãe, são convidados descobrir um amor tão grandioso e sentir verdadeiramente a presença dela. Por isso sou tão apaixonado por ela, por Nossa Senhora, ela que em todos os momentos se faz tão presente em nossas vidas!

Paz e bem!
Salve Maria Imaculada!

Marcos Aurélio
(Consagrado à Nossa Senhora, sob o título de Guadalupe, em 12 de dezembro de 2015)