XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Parábola dos dois filhos chamados à vinha

Referência: Mt 21,28-32 

Caros irmãos e irmãs

O texto evangélico deste domingo nos apresenta uma cena ocorrida na cidade de Jerusalém, onde os líderes judeus encontraram Jesus no Templo e perguntaram a Ele com que autoridade agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt 21,23-27). Jesus responde convidando-os a pronunciarem-se sobre a origem do batismo de João. Os líderes judaicos não quiseram responder, pois se dissessem que João Batista não vinha de Deus, temiam a reação da multidão, por ser considerado por muitos como um profeta; se admitissem que o batismo de João viesse de Deus, temiam eles um questionamento de Jesus acerca da não aceitação da sua mensagem. Na sequência, Jesus apresenta três parábolas, destinadas a ilustrar a recusa de Israel em acolher a proposta de salvação.

Uma das parábolas ilustra duas atitudes diversas de dois filhos mediante a ordem do pai. Os dois filhos são convidados pelo pai para irem trabalhar na vinha. O primeiro filho respondeu: “‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi” (v. 29).  O outro filho, ao contrário, disse ao pai: “‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi” (v. 30).  Em seguida, Jesus pergunta sobre qual dos dois cumprira a vontade do pai; e os ouvintes respondem: “O primeiro” (v. 31).

Jesus dirige esta parábola aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo de Israel, isto é, aos peritos de religião do seu povo. Eles começam por dizer “sim” à vontade de Deus; mas não aceitaram a mensagem de João Batista e a de Jesus. Por isso, as palavras finais da parábola são fortes: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (v.31-32).

Esta parábola nos ensina que, na perspectiva de Deus, o importante não é quem se comportou bem e não escandalizou os outros; mas, quem cumpriu realmente, a vontade do Pai. É certo que os fariseus, os sacerdotes, os anciãos do povo, disseram “sim” a Deus ao aceitar a Lei de Moisés, mas, posteriormente, eles também se recusaram a acolher o convite de João à conversão, assim como o filho que disse “sim”, e depois não foi trabalhar na vinha. Isto mostra que não são as palavras que contam, mas o agir, os atos de conversão e de fé.

João Batista mostrou o caminho da salvação, mas, os escribas e os fariseus, que se envaideciam por serem fiéis seguidores da vontade divina, não lhe deram importância. Teoricamente, eram os cumpridores da Lei, porém, não souberam ser dóceis ao querer divino, manifestado também através da mensagem de Cristo. Em contrapartida, aqueles que, num primeiro momento disseram “não”, por exemplo, os cobradores de impostos e as prostitutas, posteriormente disseram “sim”: acolheram a mensagem e se converteram, acolhendo a proposta do Reino apresentada por Jesus (v. 32).  Atenderam ao apelo à conversão e arrependeram-se: como o filho que em princípio disse “não vou”, mas depois foi.  O importante é fazer a vontade de Deus.

Também em nossos dias, Deus continua tendo dois filhos: alguns, no batismo, dizem “sim”, mas depois, na vida concreta, transformam o “sim” em “não”. Todos nós devemos ter consciência de que também somos chamados a trabalhar na vinha do Senhor.  Os chamados de Deus, nós os conhecemos pela Sua Palavra, contida na Sagrada Escritura. O Senhor continua a nos dizer: “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática!” (Lc 11, 28).

Deus não leva em conta as aparências, por isso, afirma: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).  Não é suficiente apenas ouvir a pregação, mas é necessário colocar em prática os ensinamentos. Deus respeita a nossa liberdade; não nos constrange. Ele aguarda o nosso “sim”.

O filho que foi trabalhar na vinha representa os pecadores e os marginalizados que aceitaram a mensagem de Jesus. O próprio evangelista Mateus está entre eles, pois ele era cobrador de impostos (cf. Mt 9,9s).  Jesus mostra que estes irão preceder os demais no Reino de Deus.  Este linguajar “preceder, entrar antes” é um modo de afirmar a exclusão. Não é que os cobradores de impostos e as prostitutas entrarão antes e os outros entrarão depois. Na verdade, os primeiros entram e os segundos ficam fora. E isso está de acordo com a parábola, pois o filho mais novo diz inicialmente “sim”, mas não vai trabalhar na vinha. É o que afirma também Jesus: “Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus” (Mt 5,20).

A parábola procura ressaltar que devemos ser humildes, imitando o próprio Cristo, que cumpriu com fidelidade a vontade do Pai. É o que nos diz São Paulo na segunda leitura: “Não façais nada por rivalidade ou vanglória, mas cada um de vós, com toda humildade, considere os outros superiores a si mesmo” (Fl 2,3). São estes os mesmos sentimentos de Cristo que, despojado da glória divina por amor a nós, fez-se homem e se rebaixou até morrer crucificado (cf. Fl 2,5-8).  O apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida que Paulo faz aos Filipenses, também é dirigido a todos nós: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos.

Nesta leitura, São Paulo sublinha o amor de Jesus Cristo pela virtude da obediência.  Naqueles tempos, a morte de cruz era a mais infame, pois estava reservada aos piores criminosos.  Eis porque a máxima expressão do amor de Cristo pelos planos salvíficos do Pai consistiu em ser obediente até à morte. Cristo obedece por amor; este é o sentido da obediência cristã. A obediência é o oposto da soberba, que nos inclina a fazer a vontade própria.  São Bento, em sua Regra, faz um grande elogio à obediência, ao mesmo tempo em que condena a soberba (cf. RB 7).

Para os discípulos de Jesus a humildade é uma virtude.  A palavra latina “humilitas”, tem a ver com “humus”, isto é, com a aderência à terra, à realidade.  As pessoas humildes vivem com ambos os pés na terra; mas, sobretudo, escutam Cristo, a Palavra de Deus, que ininterruptamente renova a cada um de nós.

É a humildade que nos torna cada dia conscientes de que não somos nós que construímos o Reino de Deus, mas é sempre a graça do Senhor que age em nós; é a humildade que nos impele a dedicarmos inteiramente ao serviço de Cristo, sendo fiéis operários da sua videira.

Peçamos ao Senhor que nos conceda a graça de progredirmos sempre na humildade, fundamento de todas as virtudes, pois, pela humildade, reconhecemos a nossa pequenez diante da grandeza do Senhor, que a todo o momento nos chama a trabalhar na sua vinha. Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

XXV DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Parábola dos trabalhadores da vinha

Referência: Mt 20,1-16

Caros irmãos e irmãs

No Evangelho deste Domingo, Jesus conta aos seus discípulos a parábola dos trabalhadores da vinha. A parábola fala de um proprietário de vinha que saiu a contratar trabalhadores para a sua vinha.  Saiu logo de manhã cedo e contratou alguns que encontrou, prometendo dar a eles, no fim do dia, o pagamento de um denário, o que equivale a uma moeda de prata, que era o salário normal para um dia de trabalho. Este proprietário saiu novamente na hora terceira e contratou mais outros que estavam na praça, com a mesma promessa de dar a eles o que fosse justo. Saiu de nova à hora sexta e à hora nona e contratou mais outros, com a mesma promessa: pagaria o que fosse justo.  Já quase no fim do dia, à décima primeira hora, que corresponde ao horário das cinco da tarde, saiu e encontrou outros que estavam ainda na praça sem trabalho, uma vez que ninguém os convocara, e os mandou também para a sua vinha.

A oração canônica da Igreja, rezada pelo clero, pelos religiosos e religiosas e por leigos mais integrados na oração litúrgica, é dividida ao longo do dia em quatro horas:  prima, terça, sexta e noa.  Essa divisão é retirada do modo de contar o tempo usado pelos judeus.  À semelhança dos gregos e dos romanos, eles dividiam o dia, do amanhecer ao entardecer, em doze horas.  Mas, na prática, depois das primeiras horas do dia, falavam apenas em hora terceira, das nove ao meio-dia; hora sexta, do meio-dia às três da tarde; e hora nona, das três ao fim da tarde.  Jesus se refere a essas horas na parábola que nos conta, em conformidade com o Evangelista São Mateus.

Os homens que estavam na praça, aguardavam possíveis convites para trabalho.  Na Palestina, a praça era uma espécie de bolsa de trabalho.  Muitos que estavam desempregados iam muito cedo à praça com suas ferramentas e esperavam até que viesse alguém para contratá-los. O fato de alguns permanecerem nesse lugar até às cinco da tarde, demonstra que estavam ansiosos por encontrar alguma ocupação. A jornada de trabalho naquela época era de 12 horas, iniciava às seis da manhã, e era concluída às 6 da tarde, não sendo mais possível trabalhar após este horário.

A parábola nos diz que, ao findar o dia, o patrão mandou o seu administrador efetuar o pagamento aos trabalhadores, começando pelos últimos. E eles receberam um denário. Depois vieram os outros, que tinham começado a trabalhar desde cedo. Vendo como tinham sido pagos os da última hora, ficaram na esperança de receber mais. Porém receberam apenas o denário que lhes tinha sido prometido. Naturalmente, reclamaram contra o patrão que pagava o mesmo valor aos que tinham trabalhado apenas uma hora e a eles que tinham suportado o peso do cansaço e do calor do dia inteiro.

E vem então a explicação do proprietário da vinha a um dos que reclamavam:  “Meu amigo, não estou sendo injusto para contigo.  Não tínhamos combinado que receberias um denário?  Toma o que é teu e vai em paz.  Se eu quero dar a este último o mesmo que te dei, não tenho o direito de fazer com o meu dinheiro o que eu quiser?  Ou estás vendo de maus olhos o bem que eu estou fazendo?”  (Mt 20,13-15).

A queixa que os primeiros operários expressam reflete a mentalidade de inveja que normalmente domina o coração do homem. O invejoso, quando vê alguém feliz, se entristece com a sua alegria. Mas o patrão, através de Jesus, denuncia a inveja que tal queixa esconde. O proprietário cumpre a justiça, entregando o que fora estabelecido com os primeiros: receber o denário habitual de uma jornada de trabalho, mas, além disso, ele se compadece dos últimos. Se eles recebessem proporcionalmente aos seus méritos, não receberiam o suficiente para seu sustento e o de suas famílias.  O proprietário é generoso com os últimos sem ser injusto com os primeiros.

A parábola é dirigida aos fariseus, povos observantes da lei de Moisés, mas eram pessoas incapazes de assimilar conceitos como o amor e o perdão, fechavam o caminho de Deus aos pobres, ignorantes, pecadores, publicanos e marginalizados; e criticavam Jesus porque acolhia esses pecadores, como fez com Maria Madalena, com o publicano Zaqueu e muitos outros que encontrou em seu caminho.  Assim age Deus: oferece a todos um espaço em seu Reino de salvação. Este Reino é um dom oferecido por Deus a todos, sem qualquer exceção.

Cristãos da primeira hora ou da última hora são filhos amados do mesmo Pai. O dom de Deus destina-se a todos, por igual. A parábola nos convida a perceber que Deus oferece gratuitamente a salvação a todos, aos primeiros e aos últimos.  Os últimos são os pecadores que Jesus veio buscar e que, convidados por Ele, entram no âmbito da misericórdia de Deus.  Um ocaso que se pode destacar como um sinal do amor gratuito do Senhor, como o dos operários da última hora, foi o Bom Ladrão, que conseguiu acesso ao Reino de Deus no último instante. A ele Jesus disse: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43).

Também muitos outros santos tiveram este privilégio.  É o caso, por exemplo, do próprio São Mateus. Antes de ser chamado por Jesus, desempenhava ele a profissão de publicano e, por este motivo, era considerado um pecador público. Mas tudo mudou quando Jesus disse a ele: “Segue-me” (Mt 9,9).  O então publicano, considerado o último, converteu-se imediatamente em discípulo de Cristo, pregando o evangelho até o martírio.  Ele é, portanto, o exemplo das duas realidades: não só se converteu, mas também foi o que trabalhou até o fim, ganhando do Senhor a graça de merecer morrer por sua causa.  Também o apóstolo São Paulo experimentou a alegria de sentir-se chamado pelo Senhor a trabalhar em sua vinha. Mas como ele mesmo confessa, foi a graça de Deus que atuou nele, essa graça o fez passar de perseguidor da Igreja a apóstolo dos povos (cf. Fl 1,22).

Esta parábola mostra a gratuidade e universalidade da salvação porque Deus é bom e generoso.  Este denário oferecido pelo patrão aos seus operários, representa a vida eterna, dom que Deus reserva para todos.

Chama a nossa atenção nesta parábola que o dono de uma vinha, precisando de operários, saiu de casa diversas horas do dia para chamar trabalhadores para a sua vinha (cf. Mt 20,1-16). Não saiu apenas uma vez. Na parábola Jesus diz que ele saiu pelo menos cinco vezes: ao alvorecer, às nove, ao meio-dia, às três e às cinco da tarde.  Havia tanta necessidade de operários na sua vinha que ele passou quase todo o tempo em busca de operários. Podemos dizer que este patrão representa Deus e é Ele que também vem ao nosso encontro e nos convida a trabalhar na sua vinha. Mas também esta deve ser a nossa missão, sair incansavelmente ao encontro daqueles que ainda não conhecem a vinha do Senhor. Cabe também a nós convidar mais pessoas para fazer parte desta vinha.

Peçamos a intercessão da Virgem Maria, para que saibamos corresponder com dignidade e alegria o convite do Senhor que a todo momento nos chama a segui-lo; e que possamos estar entre os bons e fiéis operários da sua vinha.  Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento-RJ

XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Perdoar até setenta vezes sete

Referência: Mt 18,21-35

Caros irmãos e irmãs

A Liturgia da Palavra deste domingo tem o seu foco no perdão, uma das exigências apresentadas por Jesus para termos acesso ao Reino dos céus.  A primeira leitura, retirada do livro do Eclesiástico (cf. Eclo 27,33-28,9), começa dizendo: “O rancor e a raiva são coisas detestáveis” (v. 33), pois geram um tipo de reação que conduz à vingança. E o texto continua: “Perdoa a injustiça cometida por teu próximo; assim, quando orares, teus pecados serão perdoados” (Eclo 28,2). Isto ressalta que as nossas relações com os irmãos devem ser marcadas por sentimentos de perdão e de misericórdia. É dessa forma que o homem construirá a sua felicidade no decorrer da sua vida terrena.  O ódio para com as pessoas é ruptura com Deus. O autor conclui sua reflexão aconselhando a pensar nos mandamentos e aprender a ser misericordioso, imitando assim o Senhor que é rico na bondade e na misericórdia.

O texto evangélico sequencia este mesmo tema a partir de uma pergunta feita por Pedro a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” (v. 21).  Jesus responde: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (v. 22). Com esta resposta, Jesus ensina que não existe limite para o perdão; só perdoando o outro é que se pode eliminar a indiferença, o ódio e a vingança, que geraram uma sociedade brutal e ambígua.

Em seguida Jesus conta uma parábola com três momentos sucessivos bem ligados entre si. Na primeira parte (vv. 23-27) aparece a figura de um rei que resolve acertar as contas com seus empregados. Provavelmente, trata-se de impostos recebidos e nunca entregues. Isso nos faz recordar que um dia todos nós teremos de prestar contas a Deus. A parábola apresenta inicialmente um empregado que devia dez mil talentos. O texto não diz quanto os outros empregados estariam devendo. É sinal de que cada pessoa deverá perguntar-se: Quanto deve ser a minha dívida para com Deus? No seu conjunto, a parábola dá a entender que esse devedor poderia ser cada um de nós.

Um talento de ouro pesava cerca de 36 quilos. Ora, o empregado tem uma dívida de dez mil talentos, o que revela ser ele incapaz de saldar a dívida. O texto deixa entender que dez mil talentos é uma soma que dificilmente alguém conseguiria pagar: “Ele não tinha com que pagar” (v. 25). A primeira reação do rei mostra como funciona uma sociedade baseada na justiça dos doutores da Lei e dos fariseus: “O patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida” (v. 25). O empregado, diante do fato, suplica ao seu patrão: “Dá-me um prazo e eu te pagarei tudo!” O pedido é feito de joelhos (v. 26). Vem então a reação inesperada do rei, e é justamente aí que descobrimos por trás dele o rosto de Deus: “Diante disso, o patrão teve compaixão, mandou soltar o empregado e perdoou-lhe a dívida” (v. 27).  O valor exagerado da dívida, sublinhado no texto, quer colocar em relevo a misericórdia infinita do Senhor.

A segunda parte da parábola (vv. 28-31) põe o empregado, que experimentou a misericórdia do seu senhor, recebendo o perdão de toda a sua dívida, frente a um dos seus companheiros que lhe devia uma quantia de cem denários, valor irrisório para um funcionário do rei; ou seja, cem moedas de prata, pouco mais de três salários mínimos. Era uma quantia insignificante para um funcionário do rei. A reação do outro companheiro é descrita com sucintos pormenores: “Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague o que me deve’” (v. 28). O companheiro que devia cem moedas de prata reage de uma forma semelhante ao seu gesto, como primeiro devedor: “O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’” (v. 29).  A pretensão deste último devedor não é inconcebível, pois de fato tem condições de pagar. A reação do empregado é marcada pela impaciência e agressão: “Ele não quis saber disso; saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia” (v. 30). O fato de ter colocado este último devedor na prisão o impediu de pagar a dúvida.  E além de não perdoar, impediu que o outro tivesse liberdade.

Finalmente, na terceira parte (vv. 31-34) retornam os personagens da primeira cena. E o patrão mostra-se severo e exigente: “Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’” (vv. 32-33). Podemos notar que só se fala de perdão na relação patrão e servo. Com isso chegamos a esta constatação: o primeiro e talvez único perdão é o que Deus nos concede gratuitamente. O restante é simplesmente misericórdia e gratuidade nas relações entre pessoas perdoadas. Não havendo misericórdia, também não haverá perdão por parte de Deus: “O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida” (v. 34).  Estando este empregado na prisão, sabemos que essa dívida não pode ser paga. A conclusão da parábola mostra o desfecho da cena: “É assim que o meu Pai que está no céu fará com cada um de vós, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

A parábola nos exorta a imitar o Senhor que nos perdoa, assim também devemos perdoar a quem nos faz mal.  Precisamente como dizemos na oração do Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6, 12). As ofensas são os nossos pecados diante de Deus, e, àqueles que nos ofenderam, também nós devemos perdoar. Cada um de nós poderia ser aquele servo da parábola que tem uma dívida enorme para pagar, tão grande que nunca conseguiria satisfazê-la. Também nós, quando nos ajoelhamos aos pés do sacerdote no confessionário, repetimos o mesmo gesto daquele servo. Dizemos: “Senhor, tem paciência comigo!” (v. 26). Deus é sempre paciente e misericordioso conosco. E nós, somos sempre pecadores e muitas vezes recaímos nos mesmos pecados. Todavia, Deus não se cansa de nos oferecer o seu perdão, sempre que pedimos. Ele tem piedade de nós e não cessa jamais de nos amar. Como o patrão da parábola, o perdão de Deus não tem limites.

O problema surge, infelizmente, quando nos encontramos com um irmão que nos fez um pequeno agravo. Esta parábola acentua o drama das nossas relações humanas: quando estamos em dívida com os outros, pretendemos misericórdia; mas, quando são os outros em dívida conosco, invocamos justiça. E todos nós normalmente fazemos assim. Todos! Contudo, esta não deveria ser a reação do discípulo de Cristo, nem pode ser este o estilo de vida dos cristãos. Jesus nos ensina a perdoar, e sem limites: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (v. 22). Lembremos sempre das palavras severas com que termina a parábola: “Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração” (v. 35).

São Paulo nos diz: “Como o Senhor vos perdoou, fazei assim também vós” (Cl 3,13). Jesus não se limitou a mandar-nos perdoar; mas ele mesmo nos deixou o exemplo. Enquanto o pregavam na cruz rogou a Deus dizendo: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). É o que distingue a fé cristã de qualquer outra religião: estar sempre aberto ao perdão.

Perdoar significa não guardar rancor para com o irmão que falhou, nem permitir que as falhas derrubem as possibilidades de encontro, de comunhão, de diálogo, de partilha; significa estar sempre disposto a ir ao encontro do outro, a estender a mão, a recomeçar o diálogo, a dar outra oportunidade, deixar o coração aberto para a compreensão, para a misericórdia, para o acolhimento, para o amor. Somente o perdão pode nos salvar da ruína; e esse perdão precisa ser contínuo e total. Peçamos ao Senhor que nos conceda esta graça, de perdoar aqueles que nos ofendem e sermos também instrumentos de misericórdia para com todos.  Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Onde dois ou três estiverem reunidos…

Referência: Mt 18,15-20

Caros irmãos e irmãs

Cada domingo nos recorda o ritmo semanal do tempo, o dia da ressurreição de Cristo.  Ao domingo, portanto, aplica-se a exclamação do Salmista: “Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria” (Sl 118, 24). O domingo é um dia que está no âmago mesmo da vida cristã e é, ao mesmo tempo, o primeiro dia da semana, memorial do primeiro dia da criação.  A Ceia do Senhor é o seu centro, pois nela toda a comunidade dos fiéis se encontra com o Cristo ressuscitado:  O domingo é o dia por excelência da assembléia litúrgica, em que os fiéis se reúnem para ouvir a Palavra de Deus e participar do Banquete Eucarístico.

A página do Evangelho deste domingo começa nos recordando que somos frágeis e, por isto, precisamos da misericórdia do Senhor a todo instante.  Sempre devemos ter consciência das nossas falhas, dos erros, dos pecados.  Por isso, no início de cada Missa somos sempre convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com palavras e com gestos o arrependimento sincero.  O sacerdote suplica a Deus: “Tende compaixão de nós Senhor”, ao que todos respondem: “Porque somos pecadores”.  Todos nós somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor. É o Espírito Santo que nos leva a reconhecer as nossas culpas, à luz da palavra de Jesus e a todos Deus concede a sua misericórdia.

A convivência humana pode ser atingida por contrastes, conflitos, devido ao fato de que somos diferentes por temperamento, pontos de vista e gostos. O texto evangélico também sintetiza: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós, contigo” (v. 15).  Podemos frisar a expressão “a sós, contigo”.  Isto quer mostrar o respeito que devemos ter para com o outro, para com o bom nome do irmão, o zelo pela sua dignidade.  O falar a sós indica a possibilidade da pessoa poder fazer a sua defesa e explicar as suas ações.   O objetivo é ganhar o irmão. Uma franca explicação pode esclarecer algo que não ficou bem entendido. Nem sempre isto é possível quando o problema é levado ao conhecimento de todos.

Esta correção deverá ser feita sempre com amor, com discernimento, com caridade fraterna. São Bento, na sua Regra, dá uma recomendação singular, ao prescrever: “Socorrer na tribulação” (RB 4,18). Mas, a expressão latina usada por São Bento é “In tribulationem subvenire”. A palavra “subvenire” pode ser traduzida por “vir por baixo, vir de baixo”. Ou seja, socorrer sim, corrigir sim, mas com a humildade de quem vem por baixo para sustentar, amparar e ajudar, para salvar. Corrigir, sim, mas como Deus, que em Jesus, veio por baixo, na humildade de um presépio e na humilhação da cruz.

O ensinamento de Cristo sobre a correção fraterna deverá ser lido à luz de um outro preceito que Ele mesmo nos deixa: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como podes dizer a teu irmão: ‘Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho?’ Tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Lc 6,41-42).  Neste contexto, é importante lembrar que é sempre válida a recomendação de São Paulo, como nos diz a primeira leitura: “Com ninguém tenhais outra dívida que a do mútuo amor… A caridade não faz mal ao próximo” (Rm 13,8-10).

O texto Evangélico deste domingo traz ainda uma frase bastante significativa e que deve ser sublinhada: “Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles” (v.19-20). Com estas palavras Jesus ressalta o valor da oração. Deus é pai misericordioso, que ouve a prece dos seus filhos. Quando rezamos, conquistamos o coração de Deus, ao qual nada é impossível.

Os primeiros discípulos pediram a Jesus: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1). Como de fato, é preciso aprender a rezar, devemos sentir a necessidade de pertencer à escola de Jesus para aprender a rezar autenticamente. E podemos receber a primeira lição pelo exemplo do próprio Senhor. Os Evangelhos, por várias vezes, descrevem Jesus em diálogo íntimo e constante com o Pai.

Na oração, em cada época da história, o homem considera-se a si mesmo e a sua situação diante de Deus, a partir de Deus e em vista de Deus, e experimenta que é criatura carente de ajuda, incapaz de alcançar sozinho o cumprimento da própria existência e da própria esperança (cf. BENTO XV, Audiência Geral, 11 de maio de 2011).  A oração deve ser a abertura e elevação do coração a Deus, torna-se assim relação pessoal com Ele.  Segundo o Catecismo da Igreja Católica: “Na oração, é sempre o amor do Deus fiel a dar o primeiro passo; o passo do homem é sempre uma resposta. Na medida que Deus se revela e revela o homem a si mesmo, a oração surge como um apelo recíproco…” (n. 2567).

E a Sagrada Escritura deixa para nós inúmeros exemplos de homens e mulheres que se tornaram exemplos de oração. A própria leitura da Sagrada Escritura deve ser também um momento de oração, sobretudo, através dos salmos.  Neles encontramos um formulário de orações. O Livro dos Salmos nos apresenta uma coletânea de cento e cinquenta Salmos, que podem ser apresentados como a nossa oração, o nosso modo de nos dirigirmos a Deus e de nos relacionarmos com Ele.  A Igreja nos exorta a uma leitura contínua da Palavra de Deus, como alimento salutar para o espírito, capaz de nutrir o conhecimento de Deus e o diálogo com Ele.

Na oração, desenrola-se aquele diálogo com Jesus que faz de nós seus amigos íntimos: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15,4). Esta reciprocidade constitui precisamente a substância, a alma da vida cristã, e é condição para estarmos sempre unidos ao Senhor. Quem reza não perde a coragem, nem sequer face às dificuldades mais graves, porque sente que Deus está ao seu lado e encontra refúgio, serenidade e paz entre os seus braços paternos. Depois, ao abrirmos o nosso coração com confiança a Deus, teremos mais generosidade com o próximo, e passaremos a construir a história segundo o projeto divino.

Em geral conhecemos a oração com palavras, mas também a mente e o coração devem estar presentes na nossa oração. É o contato da nossa mente com o coração de Deus. E aqui a Virgem Maria é um modelo real. O evangelista São Lucas repete várias vezes que a Mãe de Deus “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19). Maria viveu plenamente a sua existência, os seus deveres quotidianos, a sua missão de Mãe, mas soube manter em si um espaço interior para meditar sobre a palavra e a vontade de Deus.

Peçamos uma vez mais a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, para que o Senhor ilumine a nossa mente e o nosso coração, a fim de que nossa relação com Ele na oração seja cada vez mais intensa, afetuosa e constante.  Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Tomar a cruz e seguir o Cristo

Referência: Mt 16, 21-27

Caros irmãos e irmãs

O Evangelho deste domingo sequencia o texto que ouvimos no domingo passado, no qual Jesus perguntou aos Seus discípulos o que o povo dizia sobre quem era Ele; depois perguntou aos próprios discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15).  A profissão de fé do apóstolo Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” fez com que ele recebesse do Senhor a autoridade sobre a Sua Igreja. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18).  Jesus continuou a falar, dizendo que deveria “ir à Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (Mt 16, 21). Jesus mostra, com isto, que o caminho para a ressurreição passa pelo sofrimento e pela morte na cruz.

O mesmo apóstolo Pedro que reconheceu em Jesus o Messias, o Cristo, o Filho de Deus vivo, repreende Jesus, dizendo que tal sofrimento e tal situação não poderiam acontecer com o Mestre, e que jamais permitiria que isso acontecesse. Pedro não aceita este caminho que Jesus apresenta como itinerário a ser seguido, por isto, toma a palavra e diz ao Mestre: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” (v. 22).

A oposição de Pedro, e dos discípulos, pois Pedro continua a ser o porta-voz da comunidade, significa que a sua compreensão do mistério de Jesus ainda é muito imperfeita. Para ele, a missão do Messias, Filho de Deus, é uma missão gloriosa e vencedora; e, na lógica de Pedro, a vitória não pode estar na cruz. Devido a esta sua posição, Jesus diz a Pedro uma palavra particularmente dura: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus mas sim as coisas dos homens!” (v. 23).

O protesto de Pedro, apesar de ter sido pronunciado com boa fé e por amor sincero ao Mestre, soa a Jesus como uma tentação, um convite a salvar a si mesmo, enquanto que, somente ao perder sua vida, a receberá nova e eterna por todos nós.  Assim como Pedro, muitos não compreendem o caminho do Senhor, seu sofrimento e sua cruz.

A referência a Pedro como “pedra de tropeço” pode indicar as tentações que podem nos desviar do bem.  São os muitos pretextos humanos, bons ou maus, para não cumprir a vontade de Deus. Pensava nisso Jesus, quando, na oração do Pai nosso, nos mandou rezar: “Mas livrai-nos do mal”.  Este pedido poderia, perfeitamente, ser traduzido assim: “Mas livrai-nos do maligno”.  Este Maligno é o demônio, o espírito do mal, mas é também toda a tentação de não cumprir os planos de Deus.

Pedro estava agindo como um espírito, igual ao tentador “Satanás” quer dizer “adversário”, o tentador, que no deserto tinha procurado desviar Jesus de seu caminho (cf. Mt 4,1-11), mas Ele não está disposto a transigir com qualquer proposta que O impeça de concretizar, com amor e fidelidade, os projetos de Deus.

O Senhor ensina que o caminho dos discípulos é seguir o Crucificado. Nos três Evangelhos Jesus explica, contudo, este segui-lo no sinal da cruz, como o caminho do perder-se a si mesmo, é necessário para todos, pois, sem isto, não se não pode encontrar-se a si mesmo.

Jesus assevera aos seus discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (v. 24-25).

A generosidade pouco iluminada de Pedro não alcança os mistérios de Jesus: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!”(22). A resposta duríssima de Jesus a Pedro dirige-se a todos nós que temos medo do sofrimento, e nem sempre entendemos a função salvadora da Cruz para o mundo.  Renunciar-se, tomar a cruz por causa de Jesus. Não há outro caminho para um cristão! Qualquer outra possibilidade é ilusão humana!  Fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu.

Jesus convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-lo (cf. Mt 16,24), porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos (1Pd 2,21). Para o cristão, a cruz, como lugar do sacrifício de Cristo, é o princípio da salvação dos homens. Por isso, diz o Catecismo da Igreja Católica que a Igreja a venera professando nela sua esperança: “Salve, ó Cruz, única esperança” (cf. CIgC, 617).  Devemos usar a cruz no peito como sinal de sua adesão ao discipulado de Cristo; um sinal da presença salvífica de Deus na nossa vida.

Jesus quer mostrar que para “entrar na sua glória” (Lc 24,26), é necessário passar pela cruz. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (cf. Lc 24,27)). A cruz é a expressão de um amor total, radical, que se dá até à morte. Significa a entrega da própria vida por amor.

Em sua carta aos Colossenses, São Paulo nos faz entender a profundidade divina do sofrimento humano. “Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24).  Não é cristão quem não tiver espírito de abnegação e renúncia.  E, para encorajar-nos, aí está Jesus à nossa frente, levando nos seus ombros a cruz.

Como aos discípulos, assim também a nós Jesus faz o convite: “’Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (v. 24).  O cristão segue o Senhor quando aceita com amor a própria cruz, que aos olhos do mundo parece uma derrota e uma “perda da vida” (cf. vv. 25-26), sabendo que não a carrega sozinho, mas com Jesus, partilhando o seu mesmo caminho de doação.  O próprio Jesus Cristo, aceitando a morte voluntariamente, carrega a cruz de todos e torna-se fonte de salvação para toda a humanidade. E para levar a pleno cumprimento a obra de salvação, o Cristo Senhor segue associando a si e a sua missão homens e mulheres dispostos a tomar também a sua cruz e segui-lo.

Confiemos a nossa oração à Virgem Maria, para que cada um de nós saiba seguir o Senhor pelo caminho da cruz e se deixe transformar pela graça divina, renovando, como diz São Paulo na liturgia de hoje, o modo de pensar “a fim de conhecerdes a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável e o que é perfeito” (Rm 12, 2).

Invoquemos mais uma vez a ajuda da Virgem de Nazaré, que seguiu Jesus pelo caminho da cruz em primeiro lugar e até o fim. Que ela interceda por nós, para que possamos seguir com decisão o Senhor, sem olhar para traz, para estarmos um dia na glória da ressurreição. Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ