Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo – Ano A – 2017

Referência: Mt 16,13-19

Caros irmãos e irmãs,

Celebramos neste domingo a Solenidade litúrgica dos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja, no linguajar dos santos padres, com dois estilos diferentes para uma mesma vocação missionária.  Pedro, apóstolo dos judeus, Paulo dos gentios ou pagãos.  Originariamente o primeiro foi um singelo pescador da Galileia; o segundo, um douto fariseu de Tarso. Tocados por Cristo, converteram-se em dois apaixonados pela difusão da mensagem do Senhor até o martírio, em Roma, Pedro no ano 64 e Paulo em 67.

Pedro era um pescador da Galileia.  Com André, seu irmão, passava os dias no lago de Tiberíades.  Sempre o mesmo trabalho: lançar as redes para a pesca.  Foi precisamente em um desses momentos que Jesus o convida a segui-lo (cf. Mc 1,17).

O texto evangélico nos apresenta uma dupla interrogação feita por Jesus aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Jesus os convida tomar consciência desta diferente perspectiva e ouve a resposta dos seus discípulos acerca do pensamento das pessoas, que o identificam como um profeta. Isto, entretanto, não basta, é necessário aprofundar, ir além, reconhecer a singularidade da sua pessoa, a sua novidade; é preciso reconhecer Jesus como o Messias, o filho de Deus vivo.  Diante da confusa resposta, Jesus transfere a pergunta aos seus discípulos; e Pedro, tomando a palavra, responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).  Possamos também nós hoje, fazer nossa essa resposta de Pedro: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt 16,16).

A resposta de Pedro não é fruto de seu próprio raciocínio, mas uma revelação do Pai ao humilde pescador da Galileia, como confirma o próprio Jesus, dizendo: “Não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (Mt 16, 17).  É por causa desta confissão que Jesus diz: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra construirei a minha Igreja” (v. 18).  Pedro estava tão próximo do Senhor que se tornou ele mesmo uma rocha de fé e de amor sobre a qual Jesus edificou a sua Igreja. Com efeito, o Senhor conclui dizendo: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19).

Com base nesta confissão de Pedro é conferida a ele uma tarefa particular, manifestada mediante três imagens: a da rocha que se torna pedra de fundamento ou pedra angular, a das chaves e a de ligar e desligar. Mediante estas imagens sobressai claramente o fato de que Pedro é inseparável do encargo pastoral que lhe foi confiado em relação ao rebanho de Cristo, o que vem a se concretizar no encontro de Cristo ressuscitado com Pedro, conforme nos narra o Evangelho de São João, quando o Senhor Ressuscitado confia a Pedro a missão de apascentar o seu rebanho (cf. 21,15-19).

O paralelismo entre Pedro e Paulo não pode diminuir o alcance do caminho histórico feito por Simão com o seu Mestre e Senhor que, desde o início, lhe atribuiu a característica de “rocha”.  Na verdade, Pedro será o cimento de rocha sobre a qual estará o edifício da Igreja; terá as chaves do Reino dos céus para abrir e fechar a quem lhe pareça justo; por último, poderá atar e desatar, ou seja, poderá estabelecer ou proibir o que considere necessário para a vida da Igreja, que é e continuará sendo de Cristo. É sempre a Igreja de Cristo e não de Pedro.

O poder conferido a Pedro não é um poder segundo as modalidades deste mundo. É o poder do bem, da verdade e do amor. Sua promessa é verdadeira: os poderes da morte e as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja que Cristo edificou sobre Pedro (cf. Mt 16,18) e que Ele, precisamente desta forma, continua a edificar.

Esta posição preeminente que Jesus quis entregar a Pedro, se constata também depois da sua ressurreição.  Por ocasião da ressurreição de Cristo, Maria Madalena corre a Pedro e a João para informar que a pedra foi removida da entrada do sepulcro (cf. Jo 20,2), e João lhe cederá o passo quando os dois chegam ao túmulo vazio (cf. Jo 20,4-6). Posteriormente, Pedro será entre os apóstolos, a primeira testemunha da aparição do Ressuscitado (cf. Lc 24,34; 1Cor 15,5). No Concílio de Jerusalém, Pedro ainda desempenha uma função diretiva (cf. At 15 e Gl 2,1-10), e, precisamente pelo fato de ser a testemunha da fé autêntica, o próprio Paulo reconhecerá nele um papel de “primeiro” (cf. 1Cor 15,5; Gl 1, 18; 2,7).

Podemos ainda ressaltar o testemunho de fé e a árdua luta que os Apóstolos Pedro e Paulo tiveram de enfrentar pela causa do Evangelho. Também nisto seguiram com fidelidade o modelo de Cristo: deram a vida em prol do Evangelho. Estes dois Apóstolos, tendo o olhar fixo no mistério pascal, não duvidaram da necessidade de anunciar o Cristo, mesmo diante das dificuldades e dos desafios: era o início da realização do plano de Deus.

Era a vitória sobre as forças do mal, conquistada em primeiro lugar por Cristo e depois pelos seus discípulos, mediante a fé. E sobre esta base encontramos os fundamentos firmes da fé apostólica, sobre a qual está edificada a missão da Igreja.  A rocha representa a firmeza, não só no que se refere à duração, mas também no que tange à solidez dos seus ensinamentos, oriundos da Sagrada Escritura.

O Apóstolo Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo, era natural de Tarso. Foi inicialmente um fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles. Mas o encontro com Cristo ressuscitado no caminho de Damasco marcou a mudança decisiva na vida de Paulo. Realizou-se então a sua completa transformação, uma verdadeira conversão espiritual. Tornou-se, de cruel perseguidor dos cristãos, a um fervoroso apóstolo do Evangelho. A partir daquele momento, tudo o que antes constituía para ele um valor tornou-se paradoxalmente, segundo as suas palavras, perda e lixo (cf. Fl 3,7-10). A partir daquele momento todas as suas energias foram postas ao serviço exclusivo de Jesus Cristo e do seu Evangelho.

Os Apóstolos Pedro e Paulo são testemunhas insignes da fé, dilataram o Reino de Deus com os seus diversos dons e, a exemplo do próprio Cristo, selaram com o sangue a sua pregação evangélica.  O exemplo destes grandes santos possa iluminar as nossas mentes e acender em nós o desejo de realizar todos os dias a vontade de Deus, a fim de que possamos permanecer fiéis ao Evangelho, para cujo serviço eles consagraram a sua própria vida, anunciando os ensinamentos do Cristo, caminho, verdade e vida, a todos os povos.  São Pedro e São Paulo, rogai por nós!  Amém.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

 

XII DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Não tenhais medo

Referência: Mt 10,26-33.

Meus caros irmãos e irmãs,

A liturgia deste domingo nos faz ler um texto do evangelho de São Mateus, onde o evangelista reúne várias recomendações pronunciadas por Jesus.  Após ter escolhido os 12 Apóstolos para enviá-los em missão e tendo conferido a eles a autoridade de expulsar os espíritos imundos e de curar todas as enfermidades (cf. Mt 10,1s), Jesus não os ilude prometendo sucesso e honrarias, mas pelo contrário, ressalta que eles serão enviados “como ovelhas entre lobos” (Mt 10,16). Assim como o próprio Jesus é perseguido e passará por muitos sofrimentos, também para os Apóstolos não será diferente: “Se me perseguiram, também a vós hão de perseguir…” (Jo 15,20).  Eles devem permanecer conscientes da missão e de suas exigências.

Lançando um olhar para o texto evangélico chama a nossa atenção que por três vezes Jesus fala aos Apóstolos em não ter medo: “Não temais” (v. 26), “não tenhais medo” (v. 28.31).  Ao medo se contrapõe a coragem e não faz parte da atitude cristã.  Jesus nos pede para ter coragem e perseverança diante das dificuldades. A coragem de não desanimar diante dos fracassos e frustrações.

O verbo “temer” na Sagrada Escritura tem uma rica gama de significados. De acordo com o contexto, pode significar tanto ter medo, pavor que leva à fuga, como reverenciar ou ter temor religioso que leva à comunhão.  Essa expressão, dirigida por aos seus Apóstolos, tem como objetivo mostrar a eles que no seguimento de Cristo, na missão a eles confiada, é necessário superar o medo da perseguição e da morte, inclusive as oposições dos próprios familiares (cf. Mt 10,34s).

O convite a não ter medo aparece com alguma frequência tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento.  A Abraão Deus diz para não ter medo, na hora mesma que o chama para sair de sua terra e dirigir-se a um país desconhecido (cf. Gn 15,1). Aos profetas diz: “Não temas, eu estou contigo” (Is 41,10).  No momento da anunciação disse o anjo Gabriel: “Não tenhas medo, Maria!” (Lc 1,30). Na realidade, havia motivo para ela ter medo, pois era grande a sua responsabilidade, ser a mãe do Filho de Deus! Um peso acima das forças de um ser humano. Esta palavra: “Não tenhas medo!” certamente penetrou profundamente no coração de Maria. Podemos imaginar que em várias situações ele precisou superar o medo, sobretudo nos momentos difíceis pelos quais precisou passar.

Também ao profeta Zacarias, ao anunciar o nascimento de João Batista, disse o Anjo: “Não temas!” (Lc 1,13).  O mesmo também foi dito a José: “Não temas! (Mt 1,20).  Cristo falava assim aos Apóstolos, a Pedro, em várias circunstâncias e especialmente depois da sua Ressurreição.  E insistia: “Não tenham medo!”  Sentia com efeito que estavam com medo.  Eram temerosos, porque não tinham certeza se aquele que viam era o mesmo Cristo que conheciam.  Ficaram com medo quando Ele foi preso; tiveram mais medo ainda quando, ressuscitado, lhes apareceu.

Certa vez o Apóstolo Pedro disse a Jesus: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um homem pecador!” (Lc 5,8).  Assim como Pedro nós também devemos tomar consciência desta verdade.  Somos pecadores.  Mas Cristo lhe respondeu: “Não tenhas medo!” (Lc 5,10).   Esta expressão é rica de significado e têm profundas raízes no Evangelho.  É uma exortação do próprio Cristo.  Nós não precisamos ter medo, porque ele mesmo disse: “Eu estarei convosco todos os dias” (Mt 28,20).

Na verdade, nós vivemos inúmeros temores. Temos medo da miséria e da pobreza, medo das enfermidades e dos sofrimentos, medo da solidão e medo da morte. Na sociedade em que vivemos, temos um sistema de certezas bem desenvolvido. Mas sabemos que no momento do sofrimento profundo, na hora da última solidão da morte, nenhuma certeza poderá proteger-nos. A única certeza válida em tais momentos é a aquela nos provém do Senhor, que nos diz também a nós: “Não tenhas medo, eu estou sempre contigo”. Nós podemos vacilar, mas no final caímos sempre nas mãos de Deus.

É precisamente neste contexto que o Evangelho deste domingo nos situa. Ao enviar os Apóstolos em missão, Jesus lhes assegura a sua presença, a sua ajuda, a sua proteção, a fim de que eles possam superar o medo e a angústia que resultam da perseguição. As palavras de Jesus correspondem à última bem-aventurança: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós” (Mt 5,11s).

No evangelho Jesus nos fala que se Deus cuida até dos pássaros, cuidará  mais ainda dos Apóstolos e de cada um de nós que somos seus filhos.  Por isso Jesus conclui afirmando: “Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” (v. 30s).  Se Deus cuida dos mais insignificantes seres de sua criação, como é o caso de um humilde pardal, quanto mais se preocupará conosco, seus filhos.

Jesus sabe que o medo é um grande impedimento ao anúncio do Evangelho e, por isso, é necessário que os Apóstolos tenham coragem para superar o medo. Mesmo se a morte vier alcançar o discípulo, por causa do testemunho, não deve ser temida, pois Deus é o Senhor da vida.  O mundo de hoje é um mundo povoado de ameaças por todos os lados, mas quem caminha com Deus não tem medo.  Isso vale para nossa vida de cada dia.  Quem está com Deus não será desamparado.

No final de cada celebração Eucarística diz o Sacerdote:  “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”. E conhecemos ainda aquela nossa frase tão familiar: “Vá com Deus” ou “Deus o acompanhe!”.  Quem caminha com Deus não caminha no escuro, por isso não tem medo.  E o próprio salmista nos ensina a dizer: “O Senhor é minha luz e minha salvação.  De quem terei medo?” (Sl 26,1).

Também não devemos ter medo de dar um testemunho da nossa vida cristã, da nossa fé.  Entre os muitos medos que nos invadem e nos atormentam, um deles é o medo religioso.  São muitos, hoje em dia, os cristãos dominados pela vergonha e são muitas vezes medrosos.  Diante de um ambiente social pouco favorável à fé cristã e inclusive difusamente hostil, uma das tentações mais frequentes do cristão é o medo disfarçado, que se manifesta, por exemplo, em um silêncio cauteloso.

O Senhor não nos promete um caminho fácil.  Não nos promete êxito e sucesso, mas nos anuncia o mesmo caminho que ele próprio percorreu: Contradições, incompreensões, perseguições.  Na realidade, se olharmos bem o caminho de Cristo, se olharmos bem como Ele chegou até a morte de cruz, ao sermos perseguidos por sua causa é sinal evidente de que vamos por seu caminho, não pelo nosso caminho; uma vez que Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).  E se queremos seguir pelo seu caminho e seguindo a Ele, como ele nos pediu, é necessário que lembremos sempre do seu ensinamento: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Peçamos ao Senhor o dom da perseverança no seguimento do Cristo para, com coragem e sem medo, demonstrarmos a nossa fé para a sociedade em que vivemos, que tanto necessita do nosso autêntico testemunho. Assim como Maria, que esteve fiel ao seu filho até mesmo no momento da cruz, possamos também nós mantermos a fidelidade a Ele a todo instante.  Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A – 2017

Como ovelhas sem pastor

Referência: Mt 9,36-10,8

Caros irmãos e irmãs,

Neste domingo, a Palavra que vamos refletir recorda-nos a presença constante de Deus no mundo e a vontade que Ele tem de oferecer a todos a sua vida e a sua salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que ele chama e envia, para serem sinais vivos do seu amor e testemunhas da sua bondade.

A primeira leitura nos apresenta o Deus da “aliança”, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade. A esse Povo é confiada uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para ser um sinal de Deus no meio das outras nações.

O evangelho narra a missão dos doze apóstolos escolhidos por Jesus. Sensibilizado pela necessidade do “rebanho sem pastor” (9,35), Jesus manda seus discípulos como operários da colheita messiânica (9,36-38). Em um primeiro momento, a missão se restringe à região de Israel (10,5), sem entrar nos povoados e cidades dos gentios espalhados na terra da Palestina e na diáspora. Depois da Ressurreição, porém, a missão se estenderá ao mundo inteiro (cf. Mc 16,15). Os discípulos devem anunciar a chegada do Reino por palavras e sinais, ou seja, curas e prodígios, assim como Jesus o fez.

Os doze Apóstolos não eram homens perfeitos, escolhidos pela sua irrepreensibilidade moral e religiosa. Eram discípulos de Jesus cheios de entusiasmo e de zelo, mas, ao mesmo tempo, marcados pelos seus limites humanos, às vezes até graves. Portanto, Jesus não os chamou porque já eram santos, completos, perfeitos, mas para que fossem transformados em novos homens, para com o exemplo, pudessem transformar as pessoas e a também a história.

A missão que os apóstolos recebem é a de pregar e de curar. Eles serão os colaboradores e os continuadores da missão de Jesus e deverão levar a proposta de salvação de Deus a todo o mundo.  Eles responderam positivamente a esse chamamento e seguiram Jesus; durante a caminhada que fizeram com Jesus, escutaram os seus ensinamentos e testemunharam os seus sinais. Após serem instruídos por Jesus podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos a chegada do “Reino de Deus”.

No texto evangélico São Mateus explica inicialmente que a missão dos apóstolos é uma expressão da solicitude de Deus, que quer a salvação ao seu povo. O texto usa a expressão “messe” para indicar que essa missão é urgente.  O pedido que deve ser feito ao Senhor da messe é um apelo para que a comunidade contemple a missão como uma obra de Deus, que deve ser sequenciada com os seus critérios, por isso, a importância da oração.

São Mateus também deixa claro que a iniciativa do convite é de Jesus: Ele os chamou (cf. Mt 10,1). Não há qualquer explicação sobre as razões que o levaram a essa escolha: falar de vocação e de eleição é falar de um mistério insondável, que depende de Deus e que o homem nem sempre consegue compreender e explicar. O texto ressalta ainda o número dos discípulos: “doze”. Trata-se de um número simbólico, que lembra as doze tribos de Israel que formavam o antigo Povo de Deus. Por isso, pondo os doze no centro da sua nova comunidade, Jesus faz compreender que veio para completar o desígnio do Pai celeste. Esses “doze” discípulos representam simbolicamente a totalidade do novo Povo de Deus.

Em seguida, São Mateus define a missão que Jesus lhes confiou: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar” (Mt 10,8). Os espíritos impuros, as doenças e as enfermidades representam tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de chegar à vida em plenitude. A missão dos discípulos é, pois, lutar contra tudo aquilo que destrói a vida e o impede de chegar a uma felicidade plena.  Essas orientações de Jesus querem ressaltar que a palavra de Deus a ser transmitida deve ser acompanhada por uma prática transformadora.

Também o texto nos traz os nomes dos doze apóstolos: Simão Pedro; André; Tiago, filho de Zebedeu; João; Filipe; Bartolomeu; Tomé; Mateus; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão o cananeu e Judas Iscariotes. As listas apresentadas pelos vários evangelistas apresentam diferenças, seja na ordem dos nomes, seja nos próprios nomes. Em todo caso, Pedro encabeça sempre a lista e Judas a conclui.  O nome de Pedro  vem no início, talvez por ser um personagem forte e que, ao longo da caminhada com Jesus, assumiu um certo protagonismo no grupo dos discípulos.

A missão dos discípulos aparece como um prolongamento da missão de Jesus. O anúncio, que é confiado aos discípulos, é o anúncio que Jesus fazia; os gestos que os discípulos são convidados a fazer para anunciar o Reino de Deus são os mesmos que Jesus fez; os destinatários da mensagem que Jesus apresentou são os mesmos da mensagem que os discípulos apresentam.

Como cenário de fundo desta catequese sobre o envio dos discípulos está o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Deus nunca se ausentou da história dos homens. Ele continua a construir a história da salvação e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira felicidade.

O Senhor Jesus continua a dizer a todos nós, e muito especialmente neste tempo de tantas inquietações, que a “messe é grande, mas os operários poucos” (Mt 10,37).  E a messe que não se recolhe a tempo, perde-se.  Para que haja muitos operários que trabalhem lado a lado e com entusiasmo neste campo do mundo, o próprio Senhor nos ensina o caminho a seguir: “Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 10 10,37).

Precisamos pedir com frequência ao Senhor para que possa, no povo cristão, ressurgir muitos homens e mulheres que descubram o sentido vocacional da sua vida; e sejam bons e santos operários no campo do Senhor e saibam corresponder generosamente a esse chamado.

Lancemos uma vez mais o nosso olhar para Maria, a Virgem de Nazaré, que correspondeu, mais do que qualquer outra pessoa, à vocação de Deus, que se fez serva e discípula da Palavra até conceber no seu coração e na sua carne o Cristo Senhor para oferecê-lo à humanidade. Que ela interceda sempre por nos, para que possamos permanecer no amor de Cristo e possamos dar frutos abundantes, para glória de Deus e para a salvação do mundo.  Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE – Ano A – 2017

Referência: Jo 3,16-18

Caros irmãos e irmãs!

Neste domingo que se segue ao Pentecostes, a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo: Um só Deus em três Pessoas. Acreditamos e adoramos um Deus que é Uno e Trino, que é Pai e criou todas as coisas visíveis e invisíveis, conforme professamos na oração do credo; e fez de nós homens, a mais predileta de todas as suas criaturas; pois só a nós foi dada a dignidade de sermos chamados filhos de Deus. Encontramos no Novo Testamento explícitas fórmulas trinitárias, onde manifestam as três Pessoas divinas, como no momento da anunciação do Anjo Gabriel a Maria (cf. Lc 1,32-35), no Batismo de Jesus (cf. Mt 3,16) e no momento da Transfiguração (cf. Lc 17,1-5).

O domingo da Santíssima Trindade, de certa maneira, recapitula a revelação de Deus que aconteceu nos mistérios pascais: morte e ressurreição de Cristo, a sua ascensão à direita do Pai e a efusão do Espírito Santo.  É também uma oportunidade para a reflexão sobre a nossa vida de batizados. Fomos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, conforme a missão confiada por Jesus aos seus apóstolos: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Pelo Batismo é lavado o pecado original e, com isto, nos tornamos filhos de Deus e, concomitantemente, recebemos a graça santificante; e passamos a ser herdeiros do trono da graça divina.

A Trindade divina começa a habitar em nós no dia do Batismo: “Eu te batizo – diz o ministro – em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, o que recordamos todas as vezes que fazemos em nós mesmos o sinal da cruz. Fazemos este sinal antes da oração, para que nos coloquemos espiritualmente em ordem; somos chamados a concentrar em Deus o nosso pensamento, para que, pela oração, permaneça em nós o que Deus nos doou.

Através do sinal da cruz expressamos as três verdades fundamentais da nossa fé.  Quando falamos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, proclamamos o mistério da Santíssima Trindade e levamos as pontas dos dedos da mão direita aberta, dizendo: “Em nome do Pai”, em seguida descemos com a mão na vertical e tocamos na altura do coração, continuando: “…e do Filho”; com isto ressaltamos o mistério da Encarnação: o Filho de Deus que desceu ao seio da virgem Maria. Em seguida, levando a mão direita em cada ombro, fazemos referência ao Espírito Santo.  Com isto, completamos a cruz, para indicar o modo como Jesus morreu: numa cruz, formada por uma haste vertical e uma haste horizontal.

No sinal da cruz está contido o anúncio que gera a fé e inspira a oração.  Assim, a Santíssima Trindade ocupa o centro da nossa fé. Todas as vezes que fazemos o sinal da Cruz, estamos relembrando e fazendo memória, à fé que professamos: a fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Os cristãos têm também o costume de persignar-se, fazendo três cruzes com o dedo polegar da mão direita, uma vez na testa, outra na boca e outra no peito. Existe uma explicação que nos diz que a cruz na testa é para Deus nos livrar dos maus pensamentos; na boca, para nos livrar das más palavras; e, no peito, para nos livrar das más ações.

Mas existe um sentindo Litúrgico mais abrangente e expressivo: A cruz na testa lembra que o Evangelho deve ser entendido, estudado, conhecido; a cruz nos lábios lembra que o evangelho deve ser proclamado, anunciado, que é a missão de todo cristão; e a cruz no peito, à altura do coração, nos indica que o evangelho, acima de tudo, deve ser guardado em nós, mas também deve ser vivido, pregado e testemunhado por todos.

Também o diácono ou o sacerdote, ao proclamar o Evangelho, deve fazer o sinal da cruz no texto a ser lido e, em seguida, persignar-se, indicando, com isso, que cada palavra pronunciada seja um despertar para cada cristão tornar-se luz e sal para o mundo. Neste momento também os fiéis repetem este mesmo gesto, para que possam se preparar para ouvir, com dignidade, a Palavra de Deus. Devemos nos colocar de pé, indicando, com essa posição, que estamos prontos para seguir, dispostos a caminhar com Jesus, para onde Ele nos levar.

Lançando um olhar para a liturgia da palavra para este domingo, deparamos com a primeira leitura tirada do Livro do Êxodo, onde temos a revelação do amor de Deus, depois de um grave pecado, cometido pelo povo que estava a caminho da terra prometida. Deus, por intercessão de Moisés, perdoa e convida Moisés a subir novamente ao monte para receber de novo a sua lei: os dez mandamentos e renovar o pacto com o seu povo.  Moisés pede então a Deus de revelar-se, de fazer visível o seu rosto. Mas Deus não mostra sua face, revela por sua vez o seu ser pleno de bondade com estas palavras: “Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (Ex 34,6).

Por conseguinte, todas essas palavras “misericordioso”, “clemente” e “paciente” e “rico em bondade” nos falam de uma relação, em particular de um ser vital que se oferece, que deseja preencher todas as lacunas, todas as faltas, que quer doar e perdoar, que deseja estabelecer um vínculo sólido e duradouro com cada um de nós. Também em outros textos encontramos essa fórmula, com algumas variantes, mas sempre a insistência é colocada sobre a misericórdia e sobre o amor de Deus que nunca se cansa de perdoar (cf. Jo 4,2; Gl 2,13; Sl 86,15; 103,8; 145,8).

Ainda no Novo Testamento, São João resume esta expressão dizendo: “Deus é amor” (cf. 1Jo 4,8). Também o Evangelho deste domingo certifica: “Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu único Filho” (Jo 3,16), que viveu por nós, que venceu o mal perdoando os pecados, acolhendo a todos. Mas é sobre a cruz que o Filho de Deus nos concede a participação à vida eterna, que vem comunicada com o dom do Espírito Santo.

Deus se comunica conosco e se expressa no Filho e no Espírito Santo.  Mas Deus é o amor mais original; por isso os três não deixam de ser um.  E como tudo é criado segundo o amor de Deus, todo o universo tem em si o reflexo deste amor unificador.  E Jesus nos mostrou o rosto de Deus, uno na sua essência e trino nas pessoas: Deus é amor; amor Pai, amor Filho e amor Espírito Santo. Pensar que Deus é amor é muito importante para nós, porque nos ensina a amar, a doar-nos ao próximo como Jesus se doou a nós, e caminha conosco. Jesus caminha com cada um de nós pelas estradas da vida.

Nas cartas de São Paulo encontramos frequentemente a referência às três pessoas da Santíssima Trindade, como, por exemplo, na segunda carta aos coríntios, que a liturgia usa entre as fórmulas de saudação feita pelo sacerdote no início da Celebração Eucarística: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai  e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13).  Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo.  Realmente, participantes do Espírito Santo, possuímos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito (cf. Santo Ambrósio, Ep. 1ad serapionem, 28-30: PG 26,599).

Concluindo estas reflexões, esteja em nossos lábios a oração de Moisés, conforme nos apresenta a primeira leitura: “Senhor, caminha conosco, perdoa as nossas culpas e nossos pecados e nos acolhe como propriedade tua” (Ex 34, 9).

Peçamos o auxílio da Virgem Maria por cada um de nós, pois em seu coração humilde e repleto de fé, Deus preparou para si uma morada digna, para completar o mistério da salvação. O Amor divino encontrou nela uma correspondência perfeita e foi no seu seio, pela ação do Espírito Santo, que o Filho de Deus se fez homem para habitar entre nós. Com a sua intercessão, possamos progredir na fé e fazer da nossa vida um contínuo louvor ao Pai, por meio do Filho no Espírito Santo. Assim seja.

 

 

Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ

SOLENIDADE DE PENTECOSTES – Ano A – 2017

Referência: Jo 20,19-23

Caros irmãos e irmãs

A Igreja celebra neste domingo o dia de Pentecostes. No Antigo Testamento, Pentecostes era uma festa agrícola: cinquenta dias depois de recolher os primeiros frutos da colheita, oferecia-se a Deus as primícias do trabalho.  Este é o motivo do nome hebraico da festa: “Pentecostes”. Era um momento de agradecer a Deus pelas primeiras colheitas; por isso era conhecida também como “Festa das Colheitas” ou “Festa das Primícias”. Era o momento adequado para levar os primeiros frutos amadurecidos ao Templo como oferenda a Deus.

Esta festa teve um desabrochar bem específico no Novo Testamento.  Pouco antes da sua ascensão, Jesus disse aos discípulos: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade” (Jo 14,16-17). Pois foi cinquenta dias depois da Páscoa que aconteceu em Jerusalém a descida do Espírito Santo, mistério de infinita significação para a Igreja. Isto realizou-se no dia do Pentecostes, quando os apóstolos estavam reunidos em oração no Cenáculo com a Virgem Maria (cf. At 1,13s). É o dom solene do Espírito Santo, sem o qual não seria completa em nós a ação do Cristo ressuscitado.  Pentecostes é o complemento da Páscoa.  É o ponto de partida para a difusão do Evangelho no mundo.

A efusão do Espírito Santo na Igreja nascente foi o cumprimento de uma promessa de Deus, muito mais antiga, anunciada e preparada em todo o Antigo Testamento. Na primeira página do livro do Gênesis, ao narrar a criação do mundo e descrever o caos inicial, se diz que “o espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2).  Era a referência a um grande vendaval cósmico e materializava o sopro vivificador de Deus, que vinha dar força e vida ao mundo que nascia.

Também a Sagrada Escritura especifica que Deus insuflou pelas narinas do homem um sopro de vida para infundir-lhe a própria vida (cf. Gn 2,7). Depois do pecado original, o espírito vivificador de Deus irá manifestar diversas vezes na história dos homens, suscitando profetas para exortar o povo eleito a se voltar para Deus e a observar fielmente os seus mandamentos.

A primeira leitura (cf. At 2,1-11), nos faz voltar novamente ao início do Antigo Testamento, onde temos a antiga história da construção da Torre de Babel, descrita como um reino no qual os homens concentraram tanto poder que pensaram que já não precisavam de fazer referência a um Deus distante e, deste modo, eram tão fortes que podiam construir sozinhos um caminho que leva ao céu, para abrir as suas portas e pôr-se no lugar de Deus.

Enquanto os homens estavam a trabalhar juntos, construindo a torre, repentinamente deram-se conta de que estavam a construir um contra o outro. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de nem sequer ser mais homens, porque tinham perdido um elemento fundamental próprio da pessoa humana: a capacidade de se aproximarem, de se compreenderem e de trabalhar juntos (cf. Gn 11,1-9).

Por outro lado, a narração do Pentecostes contida no livro dos Atos dos Apóstolos, apresenta o novo curso da obra de Deus, principiado com a ressurreição de Cristo, que voltou para o Pai e agora envia o sopro divino, o Espírito Santo.  Esta abertura de horizontes confirma a novidade de Cristo na dimensão do espaço humano: o Espírito Santo supera as divisões e vai além dos muros e barreiras.  A contraposição entre Babel e o Pentecostes está, com efeito na afirmação de São Paulo: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si” (Gl 5,22-23).  Por esta razão, a dispersão ocorrida em Babel se contrapõe à unidade manifestada em Pentecostes.

O relato da descida do Espírito Santo descrito na primeira leitura, mostra a sua ação por meio do grupo apostólico no dia de Pentecostes.  O contraste entre a situação de antes e depois do dom do Espírito Santo é muito forte.  Antes: medo, tristeza, portas fechadas, não comunicação, dúvida, angústia, silêncio e clandestinidade, como nos relata o texto evangélico (cf. Jo 20,19).  Depois: coragem, alegria, abertura, comunicação, paz, fé, segurança e proclamação profética em plena rua.  Uma vez batizados com o Espírito Santo, são visíveis nos apóstolos a força e o dinamismo que vem do alto, que a narrativa da primeira leitura reflete.

Em Pentecostes, o Espírito Santo manifesta-se como fogo. Três grandes elementos caracterizam a descida do Espírito Santo: o vento, o fogo, as línguas.  O vento lembra exatamente o “Espírito”, para o qual na língua hebraica se usava a mesma palavra “ruah”, que significa “vento”, “respiração”, “sopro”.  Era o termo concreto de que se serviam para indicar o misterioso sopro de Deus, que é o Divino Espírito Santo.

A chama do Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, pousou sobre cada um e acendeu neles o fogo divino, um fogo de amor, capaz de transformar. O receio desapareceu, o coração sentiu uma nova força, as línguas soltaram-se e começaram a falar com franqueza, de modo que todos pudessem compreender o anúncio de Jesus Cristo. Onde havia divisão e indiferença, surgiram unidade e compreensão.

A chama do Espírito Santo acendeu e infundiu nos apóstolos o novo ardor de Deus. Realiza-se assim aquilo que o Senhor Jesus tinha predito:  “Vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já tivesse sido ateado!” (Lc 12,49). Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos extremos confins da terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus, que com o seu fogo quer renovar a face da terra. O fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Ex 3,2). É uma chama que arde, mas não destrói; aliás, ardendo faz emergir a parte melhor e mais verdadeira do homem, como numa fusão faz sobressair a sua forma interior, a sua vocação à verdade e ao amor.

Esta solenidade que celebramos deve também nos fazer redescobrir o sacramento da Confirmação e voltar a encontrar o seu valor e significado. Quem recebeu os sacramentos do Batismo e da Confirmação deve lembrar que se tornou “templo do Espírito Santo” e, por isto, deve dar frutos de santidade e torna-se um cristão completo, porque a Confirmação aperfeiçoa a graça batismal (cf. CIgC, nn. 1302-1304). É mediante os sacramentos do Batismo, da Confirmação e em seguida, de modo continuativo, da Eucaristia, que o Espírito Santo nos faz filhos de Deus, membros da sua Igreja e chamados a professar a nossa fé na presença e na ação do Espírito Santo e a invocar a sua efusão sobre nós, sobre a Igreja e sobre o mundo inteiro.

Nesta Solenidade de Pentecostes, também nós queremos estar espiritualmente unidos à Virgem Maria, que em Nazaré o Espírito Santo desceu sobre ela, a fim de que se tornasse a Mãe de Deus (cf. Lc 1,35), que ela interceda sempre por nós, para que sejamos fortalecidos pela ação do Espírito Santo e saibamos viver e testemunhar com alegria mensagem do Cristo Senhor.  Assim seja.

 

 

Anselmo Chagas de Paiva, OSB
Mosteiro de São Bento/RJ